2010/07/18

Aromates (França) / Martin Best Medieval Ensemble (Inglaterra)

“Um texto religioso judaico, um canto cigano da Rússia, uma canção tradicional da Sérvia e uma melodia de sevdah (característica de Herzegovina). São os sons que abrem hoje as portas do Templo das Heresias”.

(1) The Klezmatics (Israel/EUA) (10) Ale Brider (até 3:56) “Brother Moses Smote the Water”
(2) Loyko (Rússia) (I. 16) Gulya (5:47) “Road of the Gypsies”
(3) Boris Kovac & Ladaaba Orchest (Sérvia) (12) In Bukovac (4:40) “Ballads at the End of Time”
(4) Mostar Sevdah Reunion (Bósnia/Herzegovina) (10) Psenicica Sitno Sjeme (3:01) “Mostar Sevdah Reunion”

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O Ensemble Aromates, liderado por Michèle Claude, depois de lançar dois discos na Alpha, dedicados à música arabo-andalusa do Médio Oriente (“Jardin de Myrtes: Mélodies andalouses du Moyen-Orient” e “Rayon de Lune: Musique des Ommeyades”), propôs-se agora revisitar a música do nordeste do Mediterrâneo, mais precisamente do sul dos Balcâs.
No cruzamento entre o Oriente e o Ocidente, os Balcâs possuem uma dupla herança em que as influências se encontram e se fundem para dar origem aos estilos típicos da região. Sob a influência otomana durante alguns séculos, os Balcâs apreenderam e guardaram o gosto pelos ritmos irregulares que Bartok qualificou de ritmos “Aksak”, termo turco que significa “coxo”, reassumindo também a designação de uma moda balcânica muito conhecida, a famosa “moda Bartok”.
Conhecida pelas suas danças e pelos seus cantos religiosos, a música balcânica possui, no entanto, um restrito repertório de música erudita e Michèle Claude e os Aromates optaram por tentar colmatar essa lacuna. A líder dos Aromates mergulhou, assim, nos perfumes de temas búlgaros, macedónios ou gregos, piscou o olho à música erudita e à improvisação e baseou-se em ornamentações ocidentais e nas melodias ciganas.
“Aksak: Mélodies du sud des Balkans” (2009 Alpha), o resultado desse fascínio pelas sonoridades da Península Balcânica, assume-se, assim, por um registo inovador, que nos revela um surpreendente oriente erudito. Para o efeito, músicos de formação clássica utilizaram instrumentos antigos (viola de gamba, sanfonas, saltério, organeto, clavecino, percussões) e mais modernas (flautas, violões, contrabaixo…) e deambularam entre a tradição e a improvisação.
Mais informações: http://www.myspace.com/aromates



(11) Manaki (4:00)
(02) Dospat (5:08)
(10) Graovsko (4:26)
(04) Danse 25 (5:00)

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“Um tema de Jaipongan, o género musical característico do oeste da ilha de Java, uma canção do Cambodja de apelo ao esforço, um canto devocional do Tibete e uma história épica do tempo da última dinastia da China. São os sons que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”

(1) Idjah Hadidjah (Indonésia) (5) Arun Bandung (7:11) “Sundanese Jaipong and other Popular Music”
(2) Musicians of the National Dance Company (Cambodja) (1) Breu Peyney (4:52) “Homrong”
(3) Yungchen Lhamo (Tibete) (8) Dradul Nyenkyon (4:10) “Tibet, Tibet”
(4) The Guo Brothers & Shung Tian (China) (11) The Dream of the Red Mansion (5:30) “Yuan”

2ª Hora

“Uma canção sefardita em Ladino, a língua dos judeus que habitaram a Península Ibérica na Idade Média; uma Cantiga de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela (1221-1284); um poema do século XIII do trovador germânico Walter Von der Vogelweide; e um tema da famosa abadessa visionária do século XII, Hildegard von Bingen. A música medieval à luz das novas tecnologias.”

(1) Suzy (Turquia) (3) Mar de leche (3:30) “Herencia”
(2) Maciej Malenczuk & Consort (Polónia) (6) Strela do dia (3:31) “Cantigas de Santa Maria”
(3) Jaramar (México) (3) Palästinalied (5:14) “Lenguas”
(4) Garmarna (Suécia) (7) Virga ac diadema (6,47) “Hildegard von Bingen”

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Martin Best é um dos intérpretes mais importantes do repertório dos trovadores medievais. Fundador de um ensemble de música medieval com o seu nome, é um exímio instrumentista, tendo aprendido guitarra clássica com dois dos maiores mestres do século vinte, Andrés Segovia e John Williams.
Martin Best começou a carreira de músico com uma grande variedade de álbuns instrumentais e vocais abarcando vários séculos (música popular inglesa desde Shakespeare até ao século XX) e diferentes grupos linguísticos (inglês, espanhol, francês e provençal).
Em 1981, Best aperfeiçoou a sua especialidade às tradições dos trovadores europeus, o que, a determinada altura, considerou como o seu "primeiro amor". Nessa altura, resolveu formar o Martin Best Medieval Ensemble, com o qual lançou uma série de gravações, acusticamente inovadoras, sobre um grupo de poetas e de composições, nomeadamente Guiraut Riquier, Bernart de Ventadorn, italianos e franceses contemporâneos de Dante, trovadores e trouvéres, o Lamento de Tristano e as Cantigas de Santa Maria.
Martin Best dá primazia ao texto e é suficientemente comunicativo. É certo que não tem propriamente a mais bela das vozes, mas o que faz, soa de forma convincente e natural, dando a sensação de que passou toda a sua vida a cantar estas canções. Acompanham-no Jeremy Barlow, David Corkhill McLachlan e Alastair, que tocam uma variedade de instrumentos, incluindo tamborim, rabeca, guitarra mourisca, pandeiro, saltério, oud e alaúde.
Graças ao Martin Best Medieval Ensemble, há uma série de gravações excelentes que dão um sabor generoso da música e da época dos trovadores, cuja influência na poesia e na música foi substancial, e cujos comentários sobre usos e costumes da Idade Média são referências inestimáveis para a compreensão de certos aspectos da época. Da discografia do Martin Best Medieval Ensemble, salientam-se: “The Last of the Troubadours (The Art & Times of Guiraut Riquier 1230-1292)" (1981 Nimbus), cuja música e poesia celebra o último exemplar conhecido da longa tradição da poesia cantada, que começou no sudoeste da França, no final do século XI; “The Dante Troubadours” (1982 Nimbus), que explora um grupo de trovadores, (Guiraut de Bornelh, Bertran de Born e Arnaul Daniel), que foram colocados por Dante no auge da tradição lírica provençal; “Songs of Chivalry” (1982 Nimbus), que celebra as peripécias dos cavaleiros da França dos séculos XII e XIII; e “Cantigas of Santa Maria of Alfonso X” (1987 Nimbus), que, naturalmente retratam a riqueza das poesias dedicadas à Virgem, no tempo de Afonso X, o Sábio, rei de Castela.
Mais informações em:
http://test.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&sql=41:38894~T1



“Cantigas of Santa Maria of Alfonso X”
(07) Muit é mais a piadade (2:57)
(05) A Santa Maria dadas sejan loores (0:48)
(08) A Virgen, que Deus Madre est (1:25)
(18) Santa Maria loei (0:51)
“The Dante Troubadours”
(08) Can vei la lauzeta (3:40)
“The Last of the Troubadours”
(03) No.m say d’amor (4:16)
(05) Planh for the Lord of Narbonne (4:04)
“Songs of Chivalry”
(17) Pois tals sabers (4:46)
(05) Tan tai amors (3:34)

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“Uma Ballade do poeta francês Jehan de Lescurel e uma ballata do italiano Gherardello da Firenze, ambas do século XIV; um tema anónimo da França do século XIII; e um romance do Al-Andaluz de Pérez de Hita do século XVI. São os sons que encerram o Templo das Heresias”.

(1) Amadis (França) (3) Amours, trop vous dói cherir (4:08) “Anges ou démons”
(2) Mediva (Inglaterra) (3) I’vo’ bene (3:54) "Viva Mediva!"
(3) La Reverdie (Itália) (5) Pange melos lacrimosum (4:00) “Nox-Lux (France & Angleterre, 1200-1300)”
(4) Begoña Olavide (Espanha) (1) Paseabase el Rey Moro (5:31) “Mudejar”

2010/06/20

Tamikrest (Touaregs) / Ensemble Mediva (Inglaterra/…)

“Texturas mágicas extraídas do rabab, um instrumento de 13 cordas do Afeganistão; a música dos Uigures, o grupo étnico mais importante da China; e uma excelente demonstração do throat singing, o canto harmónico de Tuva. São os sons que abrem hoje as portas do Templo das Heresias”.

(1) Stephan Micus (Alemanha) (4) For M’schr and Djingis Khan (6:24) “Implosions”
(2) Pasha Ishan & Dalirhan (China) (4) Primavera Branca (3:54) “Vozes e Ritmos do Oriente, Vol. I”
(3) Ensemble Tuva (Tuva) (3) Tying Siirtuktiilerining Iri(5:41) “Voices from the Land of the Eagles”

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O grupo tuaregue Tamikrest, cujo nome significa "o nó, a junção ou a coligação", uma referência ao facto dos membros da banda serem provenientes de diferentes regiões, é constituído por sete jovens músicos originários do Mali, do Níger e da Argélia. Formaram-se em 2006 para expressar a identidade do povo nómada que habita o deserto do Sahara, nos países citados e na Líbia. Sob o lema "Um deserto nos rege, uma língua nos une e uma cultura nos aproxima", os Tamikrest exprimem-se orgulhosamente em Tamasheq, a língua dos tuaregues, e cultivam o rock Ishumar, a música rebelde tuaregue. Andy Morgan, durante muitos anos gerente dos Tinariwen, aponta-os mesmo como “o futuro da música Tamasheq”.
Ousmane Ag Mossa, o líder dos Tamikrest, teve uma infância fustigada pelos ventos implacáveis da história recente dos Tuaregues e esse facto reflecte-se na sua música. As secas de 68 a 74 quase destruíram os rebanhos e, com eles, o antigo modo de vida nómada dos Tuaregues e as secas de 84 e 85 quase deram o golpe final. Milhares de tuaregues jovens fugiram para o exílio na Argélia, Líbia, Burkina Faso e arredores e assim nasce o moderno estilo de música tuaregue alimentada pela raiva, saudades, frustrações e sonhos de uma vida melhor. Esta geração de homens Tuaregues, conhecida como Ishumar, retornou ao Mali e ao Níger, em 1990, para se revoltar contra a indiferença, a corrupção e a arrogância dos governos nas capitais distantes de Bamako e de Niamey. É neste contexto que se situam os Tamikrest.
Revelando-se determinados na afirmação da música tuaregue e prosseguindo os caminhos trilhados pelos Tinariwen - os pioneiros e expoentes do rock Ishumar - de quem se consideram "filhos espirituais, os Tamikrest centram-se sobretudo na repressão de que são vítimas os tuaregues na actual sociedade maliana e na luta pela auto-determinação do povo nómada. Naturalmente que também louva o deserto, um lugar fundamental para os Tuaregues. E foi nas dunas de seda de Essakane, no Festival do Deserto de 2008, que encontraram os Dirtmusic, grupo que, mais tarde, retorna ao Mali para gravar o álbum "BKO" e apresentar os Tamikrest, bem como Fadimata dos Tartit e Lobi Traoré. Daí à gravação de “Adagh” (2010 Glitterhouse Records), o álbum de estreia dos Tamikrest, produzido por Chris Eckman dos Dirtmusic, em Bamako, a capital do Mali, foi um passo.
Ao ouvirmos os primeiros acordes de “Adagh", de imediato os associamos às melodias intensas e hipnóticas do blues e do rock dos seus vizinhos Tinariwen, nomeadamente nos inevitáveis ecos do estilo de guitarra rítmica galopante. Ainda 2010 vai a meio e já está encontrado o Álbum do Ano.
Mais informações em: http://www.myspace.com/tamikrest



(04) Tamiditin (3:37)
(02) Aicha (3:18)
(09) Adagh (3:07)
(01) Outamachek (3:24)
(05) Aratane N' Adagh (5:10)

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“Um bhajan, canto tradicional sagrado de devoção proveniente da Índia; e uma curiosa composição inspirada no canto bifónico dos monges budistas do Tibete, enriquecida por sonoridades provenientes de instrumentos orientais (tabla, oud, zarb). São os sons que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”

(1) Shri Anandi Ma (Índia) (3) Guru Vandan (11:51) “Divine Bliss”
(2) David Hykes (EUA) (2) True to the Times (8:06) “True to the Times (How to be?)”

2ª Hora

“Um poema do século II da autoria de Mesomedes, da Grécia Antiga; uma demonstração das potencialidades da lira de Ur (Mesopotâmia) no 3.º milénio a.C. e da cithara na Roma Antiga; e uma dança do Antigo Egipto, dedicada à deusa Hathor, de cerca de 2500 a.C.”

(1) Ensemble De Organographia (EUA/Grécia Antiga) (6) Invocation of Calliope and Apollo (3:22) “Music of the Ancient Greeks”
(2) Janet Smith (EUA/Suméria) (4) The Hurrian Hymn (4:52) “Seven Modes for an Ancient Lyre”
(3) Synaulia (Itália) (5) Symphoniaci (5:50) “Music from Ancient Rome, Vol. 2: String Instruments”
(4) Rafael Pérez Arroyo/Hather Ensemble (Espanha) (3) Iba Dance (7,08) “Ancient Egypt: Music in the Age of the Pyramids”

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O ensemble Mediva, liderado pela proeminente inglesa Ann Allen, tem sido um imaginativo grupo medieval que se tem dedicado, sobretudo, à interpretação do repertório dos séculos XII a XV. Surgiu no cenário musical em 1998 com um brilhante concerto no Royal Academy of Music e, a partir daí, passou a enquadrar os principais eventos dedicados à música antiga. Composto por uma mistura eclética de dez intérpretes, o grupo foi criado com a intenção de trazer paixão e vida à música de épocas anteriores e de ir além da sua autenticidade, experimentando-a com o jazz, a improvisação, o teatro e a dança. Com efeito, os Mediva fazem música medieval surpreendentemente moderna através de arranjos inovadores e de exímias performances que podem ir do desempenho num organum do século XI a partir da notação original num proeminente Festival de Música Antiga até ao balançar roqueiro, à improvisação e aos cruzamentos num qualquer clube nocturno.
Inovação e diversidade são as características principais dos Mediva, alimentadas pela visão criativa e energia de Ann Allen e pelo contributo de cantores e multi-instrumentistas, expoentes nas suas áreas e recrutados em toda a Europa, que actuaram com alguns dos principais grupos medievais, como Alla Francesca, Sarband, Lucidarium, Les Haulz et Les Bas e Micrologus. Apresentando uma mistura exótica de instrumentos medievais e árabes, como o oud, saz, shawms, flautas, harpa, saltério, violino e percussão, bem como uma variedade de técnicas do canto para se adequar a cada repertório, os Mediva desenvolveram uma nova forma de executar a música medieval e, ao invés de tentarem recriar o passado, usam a música antiga como fonte de inspiração para um novo som do mundo.
Até à data, os Mediva lançaram dois registos: “Viva Mediva!” (2000 Mediva), em que as sofisticadas polifonias de Itália do século XIV intercalam na perfeição com as Cantigas de Santa Maria (Afonso X, o Sábio de Castela) e as Cantigas de Amigo (Martin Codax), do século XIII; e “Gabriel's Message” (2005 Mediva), uma celebração do Advento, que reúne peças dos manuscritos ingleses dos séculos XIII ao XV e que retratam a visita do Anjo Gabriel à Virgem Maria.
Mais informações em: http://www.mediva.co.uk/



(10) Mui grandes noit' e dia (3:59) “Viva Mediva!”
(13) Verbum caro factum est (3:10) “Gabriel's Message”
(03) I’vo’ bene (3:54) “Viva Mediva!”
(08) Nota (2:01) “Gabriel's Message”
(03) Edi beo thu hevene quene (5:53) “Gabriel's Message”
(08) Ondas do Mar (3:53) “Viva Mediva!”

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“Uma Cantiga de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela (1221-1284); uma composição anónima da Catalunha, do famoso Llibre Vermell de Montserrat (século XIV); e um canto de devoção da Itália das Comunas. São os sons que encerram o Templo das Heresias”.

(1) Obsidienne (França) (3) Como somos per conssello (6:32) “Miracle! Cantigas d’Alfonso el Sabio”
(2) Abendmusik (Espanha) (2) Los set gotxs (7:19) “Música en tiempos de las Catedrales”
(3) La Reverdie (Itália) (5) Voi ch’amate (5:10) “Laude di Sancta Maria”.

2010/05/08

Kroke (Polónia) / Ensemble De Organographia (Suméria, Egipto e Grécia Antiga)

“Dois curiosos cantos tradicionais joikh da etnia Saami da Lapónia, um poema árabo-andaluz sobre o estado estático em que a luz divina nos penetra e um lamento de uma alma touareg atormentada. São os sons que abrem hoje as portas do Templo das Heresias”.
(1) Sainkho/Ned Rothenberg (Tuva/EUA) (5) Lake Song (5:10) “Amulet”
(2) Wimme (Lapónia) (2) Alit Guoldu (4:17) “Wimme”
(3) Steve Shehan (EUA) (1) Wajd (4:08) “Safar”
(4) Toumast (Mali-Touaregs) (9) Amidinine (6:06) “Ishumar”

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Os Kroke (nome que em Yiddish significa Cracóvia) são um trio polaco especializado na música klezmer, a música tradicional judaica instrumental da Europa do leste. O grupo é formado pelo contrabaixista Tomasz Lato, pelo violinista, flautista e pianista Tomasz Kukurba e pelo acordeonista Jerzy Bawoł, colegas da Academia de Música de Cracóvia. Todos têm formação clássica e conhecimentos de jazz e já tocaram com Ravi Shankar, Bustan Abraham, Klezmatics, Van Morrison, Natacha Atlas e Nigel Kennedy. Começaram a sua carreira internacional em 1993, em Jerusalém, num Encontro de sobreviventes do Holocausto promovido por Steven Spielberg, que ficara impressionado quando os viu actuar num auditório de Cracóvia, na altura das filmagens de “A Lista de Schindler”. Em Portugal, actuaram em 2000, no Seixal, aquando da 11.ª edição do “Cantigas de Maio”. Têm até à data oito registos editados, sendo “The Sounds of the Vanishing World” (1999) - o excelente quarto registo, premiado pela crítica discográfica alemã - o responsável pela sua vinda a Portugal.
O último “Out of Sight” (2009 Oriente Musik/ Megamúsica) é um registo onde, naturalmente, predominam os andamentos klezmer, mas enriquecidos com doses controladas das músicas tradicionais grega e turca, sefardita, cigana, clássica e jazz. O resultado é um exótico caldeirão de sonoridades ora melancólicas ora festivas, mas sempre com um toque assumidamente contemporâneo.
Mais informações em: http://www.kroke.krakow.pl/html_en/main_en.html


(02) Janitsa (5:33)
(01) Medinet (5:23)
(06) A Luftmentsch (6:48)

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“Uma dança apocalíptica da Jugoslávia que envolve o tango nas típicas secções de metais dos Balcãs e uma peça instrumental tradicional do Egipto que evoca o tempo dos faraós. São os sons que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Boris Kovac & Ladaaba Orchest (Jugoslávia) (2) Begin-ing (7:57) “The Last Balkan Tango”
(2) Mahmoud Fadl (Egipto) (4) Ishlonak (9:05) “Love Letter from King Tut-Ank-Amen”

2ª Hora

“Um poema do século XVI do húngaro Bálint Balassi, sobre o sofrimento de um jovem apaixonado; um tema inspirado nos Cátaros, um movimento espiritual dos séculos XII e XIII; uma canção dos judeus sefarditas de Izmir; e um cantiga do trovador do século XII, Berenguer de Palol, da Catalunha.”
(1) Musica Historica (Hungria) (I.5) Siralmas nékem idegen földen (2:05) “Jelentem Versben Mesémet (Songs of Bálint Balassi)”
(2) Zefiro Torna (Bélgica) (16) Tan tai mon còr (4:44) “Compilation CD”
(3) Amadis (França) (6) Reina de la gracia (5:42) “Cantos de la Vida: Chansons de l’Espagne Médiévale”
(4) Ensemble Cantilena Antiqua (Itália) (3) De la gençor qu’om vey (6:48) “Berenguer de Palol: joys amors et chants”

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É impressionante que tenham sobrevivido ao tempo um número significativo de composições e de textos teóricos sobre a música da Grécia Antiga. Autores como Platão e Aristóteles, entre outros, contribuíram com informações teóricas, a educação musical e o papel da música na sociedade. Aristoxenus, um discípulo de Aristóteles, escreveu sobre os aspectos práticos da performance musical e, juntamente com Euclides, Pitágoras e Ptolomeu, foi um importante precursor da acústica. Por sua vez, um tratado de Alípio constituiu a principal fonte de informações para a interpretação da notação musical grega. Esses documentos escritos serviram de modelos para os tratados teóricos posteriores e ajudaram a moldar o curso da música ocidental e do Médio Oriente.
Outros meios de informação sobre a música grega antiga foram adquiridos a partir dos objectos de arte sobreviventes, especialmente esculturas e pinturas em vasos, que retratam músicos e instrumentos. Por outro lado, há, ainda, uma série de auloi e de outros instrumentos sobreviventes.
Lamentava-se, no entanto, o facto de existir na actualidade apenas um pequeno número de composições da Grécia Antiga. Felizmente, graças a pesquisas recentes, mais de 50 exemplos desse emocionante repertório foram descobertos com notação musical, nomeadamente em Oxyrhynchus (Egipto) e incluídos, pela primeira vez, nos registos do Ensemble De Organographia, um extraordinário grupo de Oregon (EUA) constituído por Philip Neuman e Gayle Neuman, especializado na música da Antiguidade, da Idade Média, do Renascimento e do século XIX.
Descobertas arqueológicas na Síria e no Iraque, durante as últimas décadas, trouxeram ao conhecimento novos documentos musicais que têm aumentado bastante a nossa compreensão da música antiga. Textos que descrevem a notação musical da Babilónia foram descobertos em Ur e em Ashur e composições escritas nesse sistema foram encontrados em Ugarit e Nippur. Essas descobertas ajudaram a clarificar a arte musical Sumero-Babilónica e, enquanto as informações sobre a notação musical egípcia permanecem obscuras por comparação, várias descrições verbais de performances instrumentais e alguns documentos musicais que sobreviveram ao tempo foram identificados.
Na gravação “Music of the Ancient Greeks” (1995, 1997 Pandourion Records), aparece a maior parte do repertório grego antigo existente, preservado principalmente na pedra e no papiro, abarcando quase 800 anos (desde o século V a.C. ao século III), excepto algumas peças que se pensa serem apócrifas, vários fragmentos muito curtos, e uma série de outras peças que aparecem em “Music of the Ancient Sumerians, Egyptians & Greeks”, (2006, 1999 Pandourion Records). O repertório desta gravação remonta ao século XX a.C. e vai até ao século III e inclui, entre outras, as instruções musicais para o hino a Lipit-Ištar, o Rei da Justiça, que é considerado o mais antigo exemplo de notação musical sobrevivente até ao nosso tempo. As selecções abarcam temas em diferentes estados de preservação, desde o quase perfeito “Hino 6 a Hurrian”, até a pequenos fragmentos de melodia e texto.
Todos os instrumentos utilizados nos discos são originais (o par de címbalos krotala, por exemplo) ou cópias de instrumentos antigos, construídos principalmente pelos executantes, a partir de representações iconográficas, nomeadamente a lira, cítara, pandoura, salpinx, trichordon, aulos, psithyra, sistro, monokalamos, siringe e tympanon.
Mais informações em: http://www.emgo.org/performers.htm
Discos disponíveis em: http://www.northpacificmusic.com/


“Music of the Ancient Sumerians, Egyptians & Greeks”
(25) Harp Piece II (6th c. BC) EGYPTIAN MUSIC (2:02)
(01) Musical Excerpts (2th c. AD) GREEK MUSIC FROM EGYPT (3:02)
(11) A Zaluzi to the Gods (c. 1225 BC) SUMERO-BABYLONIAN (3:49)
“Music of the Ancient Greeks”
(15) Dramatic lament on Ajax's suicide (late 2nd c. AD) (4:26)
(02) Hymn to the Sun, Mesomedes (2nd c. AD) (2:45)
(17) Christian hymn (3rd c. AD) (Oxyrhynchus 1786) (2:27)
(06) Invocation of Calliope and Apollo, Mesomedes (2nd c. AD) (3:21)

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“Uma composição de Hayne van Ghizeghem, do século XV, do Cancioneiro do Escorial; um tema espanhol anónimo, do século XVI; uma extraordinária versão do tema Ave Maria, proveniente da Bielorrússia; e uma cantiga do poeta Gillebert de Berneville, do século XIII, da Aquitânia. São os sons que encerram o Templo das Heresias”.
(1) Speculum (Espanha) (15) De Tous bien playne (4:49) “Splendor: Cancionero de El Escorial Vol. IV”
(2) Carlos Bica & Azul (Portugal) (8) Ay! Linda Amiga (6:23) “Twist”
(3) Vyatchescav Kagen-Paley (Bielorrússia) (2) Ave Maria Remix #3 (5:39) “Trance Planet, Volume Three”.
(4) Constantinople (Irão/...) (2) De moi dolereus vos chant (5:00) “Constantinople”

2010/04/12

Ali & Toumani (Mali) / Ensemble Cantilena Antiqua (Itália)

“Um casamento perfeito entre as vozes do Gabão e a música clássica europeia; um canto de encorajamento ao trabalho, da Costa do Marfim; um tema inspirado nos cânticos dos pigmeus da África Central; uma variação baseada nas melopeias tradicionais dos nativos americanos; e uma melodia dos índios Shawnee (EUA), habitualmente entoado no final das colheitas. São os sons que abrem hoje as portas do Templo das Heresias”.
(1) Lambarena (Gabão/Alemanha) (2) Sankanda+Lasset uns den nicht zerteilen (5:00) “Bach to Africa”
(2) Nipa (Ghana) (13) Adjiman Mo (2:12) “Ghana a Capella”
(3) Zap Mama (Bélgica/Zaire) (1) Mupepe (3:50) “Zap Mama”
(4) Faraualla (Itália) (8) Spirits (2:22) “Faraualla”
(5) Yaki Kandru (Colômbia) (9) Canto de los Shawnee (2:16) “Music from the Tropical Rainforest & Other Magic Places”

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Ali Farka Touré nascera em 1939, na aldeia de kanau, junto ao rio Níger, no nordeste do Mali e, aos 67 anos de idade e 55 de carreira de sucesso, foi vencido pela morte. Começou por ganhar proeminência no seu país natal, depois em toda a África Ocidental e, finalmente, no resto do mundo, graças a um contrato com a editora inglesa World Circuit, do qual resultaram dez álbuns, alguns deles em parceria. Celebrado como o John Lee Hooker africano, Ali Farka Touré venceu um grammy graças a “Talking Timbuktu” (1993), álbum gravado em Los Angeles com Ry Gooder, e outro graças a “In the Heart of the Moon” (2005), com Toumani Diabaté, troféus que acrescentou a outros já ganhos anteriormente no Mali.
Toumani Diabaté, de 50 anos de idade, é conhecido como o maior tocador de kora do planeta, a harpa de 21 cordas que tantas vezes aqui divulgámos. Descendente há 71 gerações dos griots mandinka, os contadores de histórias do ocidente africano, Toumani Diabaté foi promovido ao mercado World Music ocidental graças à sua colaboração com os espanhóis Ketama em “Songhai” e “Songhai 2”. Em 99, Toumani Diabaté encetaria novas parcerias: com Ballaké Sissoko e com Taj Mahal, das quais resultaram respectivamente os brilhantes álbuns “New Ancient Strings” e “Kulanjan”, aqui atempadamente destacados.
Em 2005, Ali Farka Touré e Toumani Diabaté criaram o fabuloso “In the Heart of the Moon”, vencedor de um grammy, e, em 2010, regressam com “Ali & Toumani”, um álbum gravado pouco antes da morte de Ali Farka Touré. Para a sua realização contam com a contribuição de Orlando "Cachaíto" López no baixo, Vieux Farka Touré nas congas e vocais, Souleye Kane e Ali Magasa nas vozes e Tim Keiper na percussão. Tal como em “In the Heart of the Moon”, o que podemos ouvir em “Ali & Toumani” são complexas tapeçarias musicais, tecidas através de sinuosos mas sempre dialogantes improvisos, que se entrecruzam com uma elegância e espiritualidade transcendentes. Desta vez maioritariamente instrumental, “Ali & Toumani” revela-nos os dois mais importantes músicos do Mali ao seu melhor nível. Edição da World Circuit e distribução da Megamúsica.
Mais informações em: http://www.worldcircuit.co.uk/#Home

(03) Be Mankan (5:07)
(10) Machengoidi (5:01)
(09) Fantasy (2:15)
(01) Ruby (5:50)

(Separador)

“Temas populares nostálgicos provenientes do Peru e do México; um bolero de Cuba; um diálogo entre as tradições do Senegal e das Caraíbas; e um tema tradicional de Cabo Verde. São os sons que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Susana Baca (Peru) (3) Heces (2:48) “Susana Baca”
(2) Lila Downs (México) (10) Paloma Negra (4:30) “Una Sangre One Blood”
(3) Buena Vista Social Club (Cuba) (7) Veinte años (3:32) “Buena Vista Social Club”
(4) Orcherstra Baobab (Senegal) (7) Hommage à Tonton Ferrer (5:52) “Specialist in all Styles”
(5) Simentera (Cabo Verde) (1) Ami Xintadu (4:32) “Tradictional”


2ª Hora

“Um poema árabo-andaluz do século XI; um hino religioso bizantino à Virgem Theotokos; e uma Cantiga de Santa Maria do século XIII, de Afonso X, de Castela.”
(1) Jon Balke/Amina Alaoui (Noruega/Marrocos) (3) Jadwa (5:18) “Siwan”
(2) Sophia Papazoglou (Grécia) (13) At the Beauty of your Virginity (8:22) “World Festival of Sacred Music Europe”
(3) Ensemble Wayal (França/Espanha) (13) A que por nos salvar (4:11) “Cantigas et Romances: Chants d’amour et de sagesse (XIe-XIVe siècles)”

(Separador)

O Império Carolíngio marca um momento importante na história da poesia e da música medieval do ocidente europeu. No manuscrito Lat 1154, da Aquitânia, escrito entre o final do século IX e o início do século X, agora guardado em Paris, encontraram-se uma série de composições, algumas delas com notação musical, relacionadas com factos históricos do tempo de Carlos Magno. Constitui, assim, uma verdadeira compilação testamentária da cultura carolíngia e um precioso contributo para entendermos a música e a poesia do primeiro milénio.
Ainda que em reduzido número, as canções incluídas no manuscrito representam um importante “repertório” da época, oferecendo o conhecimento da tradição épica e do quotidiano, com fortes reminiscências da tradição latina clássica, nomeadamente de Virgílio, Horácio e Boécio. Com efeito, o período carolíngio foi fundamental para o renascimento de uma tradição clássica que as invasões bárbaras tinham interrompido. De facto, um conjunto de elementos da tradição greco-romana serviu de base para a emergência de uma nova cultura.
É sobre as produções poéticas e musicais do Império Carolíngio, que o Ensemble Cantilena Antiqua, se debruça no fabuloso registo “Epos: Music of Carolingian era” (Documenta, 2009). Fundado por Stefano Albarello em Bolonha (Itália), em 1987, e composto por músicos que se especializaram em realizar simultaneamente repertórios sagrados e profanos, o Ensemble Cantilena Antiqua encetou uma investigação cuidada em fontes musicais, na literatura e na história da época medieval, assegurando, o mais possível, uma fidelidade à tradição, de modo a preservar os sons e os estilos originais do período que abarcam. Naturalmente que o Ensemble Cantilena Antiqua faz uso de réplicas de instrumentos do tempo para aprofundar particularmente o aspecto do desempenho, nomeadamente as tibiae (flautas), a fidula (instrumento de cordas), a cithara, a lyra, o psalterium (dulcimer) e a percussão.
“Epos: Music of Carolingian era” contém, assim, preciosas relíquias de uma época musicalmente pouco explorada e quase nunca interpretada nos tempos modernos. Ouvi-lo significa uma oportunidade única para desfrutar do mais antigo repertório medieval profano que chegou até nós, bem como do seu encanto poético e sonoro.
Dos dois temas anónimos retirados do manuscrito Lat 1154 e incluídos em “Epos”, saliente-se Planctus Karoli ("Lamento [sobre] a morte de Carlos Magno"), um poema associado ao Renascimento Carolíngio em letras latinas e um elogio ao monarca Carlos Magno, escrito em verso, pouco depois da sua morte em 814. Também retirados de Lat 1154, incluem o disco dos Cantilena Antiqua dois poemas contemporâneos: Ut quid iubes pusiole de Godescalcus de Orbais (teólogo e poeta nascido na Saxônia, expulso do mosteiro de Fulda, após ter sido acusado de heresia), que aborda a sua grande angústia sobre o exílio; e Aurora cum primo mane de Agilbertus (poeta e diplomata de ascendência franca, que passou os seus primeiros anos na corte de Carlos Magno e, mais tarde, se tornou abade em Saint-Riquier), que retrata a batalha de Fontenoy. De Boécio (Severinus Boethius, c. 475 a 480 - 524), filósofo, estadista e teólogo romano (cuja reavaliação da sua figura e obra se deve à dinastia carolíngia) estão incluídos em “Epos” duas composições do seu trabalho “De philosophiae consolatione”. De Horácio (Quintus Horatius, 65 - 8 a.C.), poeta lírico, satírico e filósofo latino nascido em Venúsia (Itália), cuja obra exerceu forte influência sobre os autores renascentistas e classicistas em geral, estão incluídos os temas Albi ne doleas e Est mihi nonum retirados das Odes. De Virgílio (Publius Vergilius Maro, 70 - 19 a.C.), cantor da tradição criadora e conservadora da grandeza de Roma e o poeta mais conceituado do seu tempo estão em “Music of Carolingian era” os temas Aeneis Liber II e Aeneis Liber IV retirados da obra-prima Eneida, que, surpreendentemente, continha já fragmentos de música, constituindo, assim, um precioso documento que atesta o facto de que, no início da Idade Média, era uma prática comum cantar os versos desse monumental poema.
Mais informações em: http://web.tiscali.it/cantilenantiqua/

(02) Ut quid iubes pusiole (7:04)
(01) Bella bis quinis (6:16)
(07) Albi ne doleas (3:23)
(09) Est mihi nonum (3:49)

(Separador)

“Uma cantiga trovadoresca de Guilhem de Peitieu, do século XII; uma Canção de Trobairitz da Condessa Beatriz de Dia, também do século XII; e uma Cantiga de Amigo, de Martim Codax, o supremo trovador de Vigo, do século XIII. São os sons que encerram o Templo das Heresias”.
(1) La Capella Reial de Catalunya/Hespèrion XXI/Jordi Savall (Espanha) - (I.11) Pos de chantar (6:06) “Le Royaume Oublié: La Croisade contre les Albigeois/La tragédie Cathare”
(2) Música Antiga da UFF (Brasil) (2) A chantar m’er de so q’ieu no volria (6:19) “A chantar: Trovadoras Medievais”
(3) The Dufay Collective (Inglaterra) (13) Mandad’ei comigo (5:52) “Music for Alfonso the Wise”.

2010/03/21

Staff Benda Bilili (Congo) / Speculum (Espanha)

“A kora e o balafon da Guiné Bissau, do Mali e da Guiné Conákri tecem melodias sobre o baixo, o trombone e a guitarra de músicos da Suíça e dos EUA. Extraordinários encontros entre compositores ocidentais e africanos abrem hoje as portas do Templo das Heresias”.
(1) Taffetas (2) Saudade do meu Amor (8:47) “Taffetas”
(2) Roswell Rudd & Toumani Diabate (1) Bamako (4:50) “Malicool”
(3) Djeli Moussa Diawara & Bob Brozman (3) Almany (5:42) “Ocean Blues”

(Separador)

Staff Benda Bilili é um grupo de músicos de rua, proveniente de Kinshasa (Congo), que se afirmou como uma das grandes revelações de 2009, tendo ganho o prémio de melhor intérprete do ano, no Womex (World Music Expo).
O núcleo dos Staff Benda Bilili é composto por quatro cantores / guitarristas, todos eles deficientes físicos, que sofreram de poliomielite quando eram jovens, e se movimentam em cadeiras de rodas ou triciclos espectacularmente personalizados. São apoiados por uma secção de ritmo, composta por crianças e adolescentes de rua abandonados e que foram tomados sob a protecção dos membros mais velhos da banda. O solista é um jovem de 18 anos de idade que toca solos surpreendentes, numa espécie de alaúde de uma corda que ele próprio projectou e construiu a partir de uma lata. Paraplégicos, incapazes de trabalhar, pobres e forçados a viver na rua da República Democrática do Congo, recebendo um diminuto apoio do estado, os jovens tornaram-se músicos de rua, até que foram descobertos por um par de cineastas franceses e lançam “Très Très Fort”, o primeiro álbum.
Produzido por Vincent Kenis, o responsável pelo som electro-artesanal dos Kasaï Allstars e dos Konono nº1, e editado pela etiqueta belga Crammed Discs (distribuição Megamúsica), “Très Très Fort”, apresenta letras poderosas, que chamam a atenção para uma série de importantes questões sociais, nomeadamente a pobreza, a deficiente saúde pública e a violência em África. A música, criada a partir de instrumentos acústicos inventados, é uma mistura de sonoridades tradicionais e modernas, com pitadas de jazz cubano, afro-pop, soul, rumba, rhythm'n'blues e reggae.
Imagine-se todos os músicos do grupo sentados em círculo, a tocar e a cantar (em várias línguas) construindo harmonias vocais (uma das suas imagens de marca), alimentando-se uns aos outros, interagindo com os espectadores, com performances todas diferentes. Com efeito, a maior parte de “Très Très Fort” foi gravado ao ar livre, nos enclaves desabrigados próximos do jardim zoológico em Kinshasa, onde os membros da Staff Benda Bilili chamam de casa há bastante tempo.
A música de Très Très Fort é poderosa, familiar e agradável e transpira uma emoção desconcertante e surpreendente. Um dos álbuns do ano.
Mais informações em: http://www.myspace.com/staffbendabilili

(02) Polio (3:08)
(04) Sala Keba (4:25)
(09) Marguerite (6:45)
(01) Moto Moindo (5:47)

(Separador)

“Um tema popular egípcio sobre a decepção provocada pelo amor não correspondido, um canto religioso da Tunísia de louvor a Deus, uma canção evocativa da abertura das portas do Grande bazar de Istanbul e uma típica peça folk dos portos de Creta, sobre a desilusão amorosa. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Hanan (4) Matajarahnish (4:12) “Sif Safaa: New Music from the Middle East”
(2) Jerrari (1) Sidi Mansour (5:50) “Tunisie: Chants & Rythmes”
(3) Istanbul Oriental Ensemble (1) Elden Ele (4:51) “Grand Bazaar”
(4) Ross Daly & Labyrinth (6) Afou ‘Heis Allon Sti Kardia (5:27) “Mitos”


2ª Hora

“Uma balada de um compositor e poeta da França dos finais do século XIII; um romance dos judeus sefarditas; uma cantiga de Santa Maria, de Afonso X, rei de Castela; e duas danças italianas dos séculos XIII e XIV. São os sons que abrem as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Ensemble Syntagma (Rússia/França) – Abundance de felonie (3:55) “Jehan de Lescurel, Ex Tempore. Vocal-Instrumental Poem”
(2) Ensemble Accentus (Áustria) (4) Partos trocados (5:54) “Sephardic Romances”
(3) Dekameron (Polónia) (1) Como Jesu Christo fezo a San Pedro (3:47) “Ave Mater, O Maria!”
(4) Musica Historica (Hungria) (19) Saltarello II (1:46) “Amor ey”
(5) Ioculatores (Alemanha) (11) Trotto (2:16) “Songs and Dances of the 13th to 15th Centuries”

(Separador)

Dirigido por Ernesto Schmied, um especialista em flautas históricas, o grupo espanhol Speculum tem-se dedicado, desde 1996, ano da sua formação, à recuperação da música da Idade Média em diante. Centrando-se, preferencialmente, na Ars Hispanica, os Speculum têm contribuído decisivamente para o conhecimento de um património tão raramente explorado, mas de primordial importância no panorama da música antiga.
Debruçando-se sobre diversos manuscritos europeus, os Speculum encetam um minucioso trabalho de pesquisa e utilizam vozes e instrumentos perfeitos para traçar as linhas da arquitectura musical medieval, renascentista e barroca.
Segundo os próprios Speculum, o significado da criação musical para o grupo está perfeitamente expresso nas palavras do famoso escritor e humanista britânico do século XV, Thomas More, num fragmento da Utopia: "...toda a sua música, a que criam com instrumentos e a que cantam com a voz humana, expressa as paixões e os afectos naturais; o timbre e a melodia elaboram-se à medida da obra, seja de uma oração ou uma canção alegre, sossegada, agitada, de lamentação ou de ira; representam o significado de cada estado de espírito e, maravilhosamente, logram comover, provocar, penetrar e inflamar as almas dos que a escutam."
O impacto da música dos Speculum tem sido tão frutífero e determinante que, desde a sua fundação, têm sido, por variadíssimas ocasiões, convidados para diversos eventos europeus, sobretudo na Península Ibérica, onde têm actuado em praticamente todos os festivais importantes.
Conjugando a música e a poesia da Idade Média espanhola em espectáculos de grande rigor e dramatismo e elaborando programas temáticos apelativos, os Speculum lograram, de uma forma subtil, aproximar o público dos cada vez mais apreciados meandros da música antiga.
Até à data, os especialistas da Ars Nova espanhola editaram sete registos fundamentais: “Fumeux fume par fumee” (1998), premiado com o prestigioso Choc de Le Monde de la Musique, em Janeiro de 2000; “Il Grant Desio e la Dolce Esperanza” (2006), o primeiro disco dedicado integralmente ao Cancioneiro do Escorial, co-produzido pela Comunidad de Madrid e pela etiqueta Openmusic para a colecção Madrid en su Música; “Cancionero de El Escorial” (2007) uma colaboração dos Speculum com o fantástico contratenor Carlos Mena, galardoado com 5 DIAPASONS (revista Diapason) e 4 estrelas no Le Monde de la Musique; “Ars Mediterranea” (2008), um variado repertório musical das diferentes expressões do Mediterrâneo; “O Rosa Bella, Cancionero de El Escorial, Vol. III” (2008); Live (2009); e “Splendor” (2009), o volume IV dedicado ao impressionante cancioneiro que se alberga na Biblioteca do Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial.
Mais informações em: http://www.openmusic.es/autores/mostrar/18-speculum

(01) O Virgo Splendens (2:29) “Fumeux fume par fumee”
(16) Imperayritz de la ciudad ioyosa (4:05) “Il Grant Desio e la Dolce Esperanza”
(13) Amours me fait commencier (4:53) “Ars Mediterranea”
(05) Ne vous plaindes de mes yeulx (5:13) “Cancionero de El Escorial”
(17) Mercé te chiamo, o dolze anima mia (4:35) “O Rosa Bella”
(15) De tous bien playne (4:49) “Splendor”

(Separador)

““Uma outra balada do compositor e poeta francês Jehan de Lescurel, dos finais do século XIII/inícios do XIV; uma cantiga de amor do século XII do trovador catalão Berenguer de Palou; e mais uma cantiga do século XIII, de louvor à Virgem Maria. Assim se encerra o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Amadis (França) (3) Amours, trop vous dói cherir (4:08) “Anges ou démons”
(2) Ensemble Cantilena Antiqua (Itália) (2) Ai tal domna (5:09) “Ondas do Mar”
(3) The Renaissance Players Winsome Evans (Austrália) (14) Virgen Madre Groriosa (10:08) “Of Numbers and Miracles”

2010/01/12

Jon Balke & Amina Alaoui (Noruega/Marrocos)/ Amadis (França)

“Uma canção de amor da Guiné Conacri, um tema do Mali sobre a modéstia de uma cantora, uma peça do Senegal moderno e uma melodia da Gâmbia de apelo aos valores do passado. São as primeiras Heresias provenientes do Templo”.
(1) Diéfadima Kanté (9) Diarabi (5:04) “Frankonodou”
(2) N’Gou Bagayoko (4) Sogola Djigui (4:50) “Kulu”
(3) Baaba Maal & Mansour Seck (4) Salminanam (4:25) “Djam Leeli”
(4) Alhaji Bai Konte (7) Alhaji Bamba B. (2:57) “Kora Melodies from the Republic of the Gambia”

(Separador)

O norueguês Jon Balke é um conceituado pianista e compositor de jazz de vanguarda, ligado à prestigiada etiqueta germânica ECM. Balke começou por tocar piano clássico, mudando, aos 12 anos, para o "boogie woogie", e posteriormente, para os meandros do pós-bop. Aos 18 anos, Jon Balke juntou-se ao quarteto de Arild Andersen e tornou-se activo no grupo de Radka Toneff e no de afro-fusão E'olén, antes de ingressar, nos inícios dos anos 80, nos grupos Oslo 13 e Masqualero. A partir de 1989, Jon Balke concentrou-se nos seus próprios projectos, nomeadamente em Jøkleba (com Audun Kleive Audun e Per Jørgensen) e no ainda existente Magnetic North Orchestra. Em 2002, formou o grupo de percussão Batagraf e em 2007 iniciou o projecto Siwan, com a cantora marroquina Amina Alaoui.
Para "Siwan", um projecto de envergadura quase utópico, Jon Balke, revelando uma invulgar abertura de espírito, rodeou-se de intérpretes de jazz contemporâneo, especialistas da música barroca, virtuosos da música oriental e autores de música antiga. Começa por ser impressionante o poder da voz exótica de Amina Alaoui sobre as composições notáveis de Jon Balke para ensemble barroco, com solistas mergulhando no jazz e improvisando sobre as tradições e sobre os domínios da música antiga. Por detrás deste notável integração musical está uma teia de interconexões filosóficas, históricas e literárias, uma vez que Balke e Alaoui se basearam em textos de poetas sufis, de místicos cristãos e de trovadores da Idade Média, interpretados em várias línguas.
Autêntico mosaico de coloridos ricos em misticismo e uma brilhante fusão da tradição com a modernidade, "Siwan" não só possibilita uma reunião entre os músicos do norte e do sul e um criativo encontro de culturas, como também confirma Jon Balke como um compositor de eleição, Amina Alaoui como uma voz marcante, Kheir Eddine M'Kachiche como um poderoso violinista e Jon Hassell como um exímio aglutinador de diversas tradições. Música mágica arrastando raízes profundas, na mesma linha de “Ragas and Sagas”, que o também norueguês Jan Garbarek produziu com o paquistanês Ustad Fateh Ali Khan, para a mesma editora, em 1992, "Siwan" é, indubitavelmente, um dos melhores discos de 2009.
Mais informações em: http://player.ecmrecords.com/siwan

(04) Ya Safwati (5:17)
(06) Itimad (6:43)
(10) Thulâthiyat (10:04)

(Separador)

“Uma canção do Sudão que incita ao optimismo, um tema tradicional da Somália sobre a solidão, um canto popular da Etiópia que mistura a tradição e a modernidade e uma história de um colectivo do Senegal/Tuva/Rússia sobre uma criança que chora a ausência da sua mãe. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Abdel Gadir Salim All-Stars (5) Bassama (4:45) “The Merdoum Kings play Songs of Love”
(2) Waaberi (2) Cidlaan… (até 3:46) “New Dawn”
(3) Abyssinia Infinite (4) Monew Natana (5:12) “Zion Roots”
(4) Vershki da Koreshki (2) Toumkoumani (6:59) “Vershki da Koreshki”


2ª Hora

“Uma cantiga de Santa Maria, de Afonso X, rei de Castela (Século XIII); um texto literário da Sicília do século XV, atribuído ao Imperador normando Federico II; uma dança Anglo-Normanda de autor anónimo; e um canto escolar proveniente da Finlândia medieval. São os sons que abrem as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Eduardo Paniagua (Espanha) (11) Macar é door (7:18) “Remédios Curativos”
(2) Al Qantarah (Itália) (8) Dolce lo mio drudo (6:40) “Abballati, abballati! Songs and sounds in Medieval Sicily”
(3) Ensemble Alcatraz (EUA) (9) El Tens D’Iver (2:21) “Danse Royale”
(4) Zefiro Torna (Bélgica) (15) Scholares Convenite (3:35) “De Fragilitate (Hymns from medieval Finland)”

(Separador)

Diplomada em musicologia pela Universidade de Paris, a francesa Catherine Joussellin começa por integrar o coro da Capela Real, estudar viola da gamba e trabalhar o canto. Actua sob a direcção dos consagrados Clemencic, Leonhardt, Eötvös, Minkowski e Van Nevel e participa em numerosos concertos e festivais. Funda posteriormente os ensembles Discantus e Alla Francesca e trabalha com a Boston Camerata, Gilles Binchois, Douce Mémoire, A Sei Voci e Huelgas Ensemble, com quem grava diversos discos.
Em 1989, Catherine funda o ensemble Amadis, actualmente constituído também por Olivier Marcaud (canto e percussões), Christophe Deslignes (organetto, flautas medievais), Jean-Lou Descamps (sanfona, saltério, tambura) e Xavier Terrasa (canto, chalemie, cornemusa, flautas medievais, symphonie). A partir do seu primeiro concerto na Fundação Boris Vian, o grupo Amadis começa a explorar a cultura medieval, através de linguagens privilegiadas como a literatura e a música.
As interpretações dos AMADIS são baseadas no estudo da notação original do texto e da música das variadas obras medievais (romances, poesias, contos, crónicas, jogos, fábulas, récitas, farsas, canções, reverdies, lais, baladas, rondeaux, virelais, motets...) e decorrem de um interesse particular em procurar as intenções profundas dos autores da época. Posteriormente o ensemble Amadis consagra-se também na criação contemporânea, mas é no seio de grupos como Gilles Binchois, la Chapelle Royale, Huelgas Ensemble, Millenarium, Boston Camerata, Hespérion XXI... que os músicos do ensemble Amadis se revêem.
Ao longo dos anos,Catherine Joussellin criou com o Ensemble Amadis uma adaptação cénica de Roman de Fauvel (um poema satírico do século XIV), a Lenda de Tristan et Yseut, a Lenda do Coeur mangé, o Elogio da Feminilidade (da Idade Média aos nossos dias) e o espectáculo Colette (a partir de músicas de Hahn, Satie e Ravel), entre outras. Editou, ainda, os registos “LE MANUSCRIT NIVELLE DE LA CHAUSSÉE” (ADDA, 1992), “SUR LES CHEMINS DE SAINT-JACQUES” - Cantos dos peregrinos a Santiago de Compostela, dos séculos XII a XV (JADE, 1998 -1999), “MUSIQUE AU TEMPS DE JEHANNE D’ARC” (JADE, 1999), “CANTOS DE LA VIDA” - Cantos dos judeus da Espanha Medieval (DBA, 2004) e “ANGES OU DÉMONS” - baseado nas obras de Jehan de Lescurel e Philippe de Vitry, compositores do século XIV (DBA, 2009).
Mais informações em: http://ensemble.amadis.free.fr/crbst_1.html

(02) A que por muy gran fremosura (1:55) “Sur Les Chemins de Saint-Jacques”
(04) Hija mia mi querida (2:50) “Cantos de la Vida”
(01) Nani, nani (4:51) “Cantos de la Vida”
(06) El Rey de Francia (4:27) “Sur Les Chemins de Saint-Jacques”
(03) Amours, trop vous dói cherir (4:08) “Anges ou démons”
(08) Bontés, sem, valours (4:50) “Anges ou démons”

(Separador)

“Com diversas canções dos judeus sefarditas encerramos o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Ensemble Antequera (Holanda) (2) Nani, nani (2:42) “Jews & Christians”
(2) Ruth Yaakov Ensemble (Israel/Albânia/Arménia/Turquia) (6) Salgash madre (4:12) “Shaatnez: Sefardic Songs of the Balkans”
(3) Lena Rothstein (Grécia) (9) Dia de Shabbat (3:40) “Cantos Judeo-Españoles”
(4) Emil Zrihan (Marrocos) (15) Kochav Tzedek (6:00) “Ashkelon”

2009/12/27

Samba Touré (Mali) / Zefiro Torna (Bélgica)

“Uma canção tradicional grega, proveniente das ilhas orientais do mar Egeu e do litoral da Ásia Menor; um texto sagrado hebraico; uma variação sobre um tema albanês; e uma interpretação de um tema popular russo; São as Heresias que abrem hoje as portas do Templo”.
(1) Theodora Baka (Grécia) (11) Sto pa kai sto xanaleo (4:03) “Myrtate: Traditional Songs from Greece”
(2) Ruth Wieder Magan (Austrália/Israel) (1) Roza DeShabbos (4:59) “Songs to the Invisible God”
(3) Nomad (França) (3) Alba (4:33) “Ciguri”
(4) Faraualla (Itália) (9) Spondo 2:39) “Faraualla”

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Proveniente de Dabi, uma pequena aldeia no Norte do Mali, Samba Touré assume-se como o legítimo herdeiro de um dos melhores guitarristas de todos os tempos, o também maliano Ali Farka Touré (falecido em 2006). Com efeito, o "John Lee Hooker africano”, inventar do "blues do deserto", grande embaixador musical/cultural da África e vencedor de um Grammy ensinou a Samba, ao longo dos anos, tudo o que sabia sobre música. Deu-lhe, inclusivamente, a oportunidade de se juntar à sua banda na tournée que fez em 1997 e produziu o seu álbum de estreia, Fondo, em 2004. Foi, ainda, Ali Farka Touré que encorajou Samba a olhar para as suas raízes e a estabelecer a sua própria identidade, em vez de seguir as modas passageiras. Quando Samba Touré iniciou a sua carreira como elemento do grupo Farafina Lolo e passava o seu tempo a adaptar ritmos de dança do Congo, seguiu os conselhos e a ajuda de Ali Farka Touré e começou a aprimorar o som do blues africano e a criar o seu próprio estilo.
A música de Samba, baseada na tradicional do Mali, apresenta naturais semelhanças com as do seu mentor, mas revela-se mais cadenciada que a tuaregue dos seus irmãos malianos Tinariwen, Tartit e Toumast e tem um toque de leveza e consideravelmente mais velocidade do que a da maioria dos tocadores de blues do deserto. Por outro lado, a instrumentação que Samba utiliza, baseada nos sons do sokou (violino tradicional), do gnoni (guitarra de quatro cordas), do tamani, calabash e outras percussões, de flautas e do baixo eléctrico, permite-lhe mergulhar por sonoridades imaginativas e até inovadoras.
Em 2009, o cantor e guitarrista de 41anos reúne um grupo de talentosos músicos de apoio (que o acompanharam ao longo dos anos), mergulha na cultura tradicional Songhai e nas suas próprias experiências pessoais, entra em estúdio e grava Songhai Blues: Homage to Ali Farka Touré (World Music Network 2009/Megamúsica).
Constituído por treze faixas, entre temas retirados da sua primeira gravação apenas lançada no Mali, canções do registo de 2007, Aïto, e composições novas, Songhai Blues revela-se como um álbum empolgante para os fãs de blues do deserto e para os que gostam da música do Oeste Africano em geral. Como que um compêndio e uma autêntica viagem através da envolvente e rica tradição musical do Mali, Songhai Blues integra ritmos intensos, festivos e, muitas vezes, difíceis de seguir, tal como os de Ali Farka Touré ou John Lee Hooker. Assume-se, naturalmente, como um dos melhores discos de World music do ano.
Mais informações em: http://www.samba-toure.com/

(05) Yawoye (4:33)
(02) Foda Diakaina (4:34)
(04) Bila (5:06)
(10) Goye(5:33)

(Separador)

“Uma demonstração das potencialidades do tambur do Uzbequistão; um tema da música clássica iraniana; e um canto feminino dos haréns dos palácios dos sultões otomanos. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Hector Zazou & Swara (Argélia/Uzbequistão/Índia) (1) Zannat (4:49) “In the House of Mirrors”
(2) Khatereh Parvaneh (Irão) (I-3) Dastgah of Shour (10:35) “Echos du Paradis: Sufi Soul”
(3) Ensemble des femmes d’Istanbul (Turquia) (8) Ud Taksin (6:41) “Chants du Harem”

2ª Hora

“Um poema épico sobre a visão de uma profetiza que narra a criação do mundo, a chegada dos deuses, a morte do filho de Odin e a destruição do mundo de Ragnarok; uma história sobre uma filha que esconde, ao seu pai discordante, uma criança fruto de uma relação ilícita; e uma balada sobre uma criatura chamada “Lindormen” que se transforma em príncipe e, através do amor, adquire a forma humana. A música medieval da Islândia, Noruega e Suécia abre as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Sequentia (Alemanha) (3) Ti Prophecy of the Seeress (10:10) “Myths from Medieval Iceland”
(2) Agnes Buen Garnas/Jan Garbarek (Noruega) (4) Maalfri mi fruve (5:12) “Rosensfole: Medieval Songs from Norway”
(3) Wisby Vaganter (Suécia) (13) Lindormens Wisa (5:10) “Gotlandz Wiisa: Medeltida musik”

(Separador)

Zefiro Torna é um ensemble oriundo da Flandres (Bélgica), cujo nome expressa, de forma alegórica, como o deus mitológico do vento do Oeste, Zephyrus, conseguia sempre expulsar os Invernos frios.
Formado em 1996, o grupo Zefiro Torna é constituído por Els Van Laethem e Cécile Kempenaers (voz), Liam Fennelly (viola da gamba, vihuela) e Jurgen De bruyn (alaúde, guitarra e direcção artística), músicos que se distinguiram em grupos como Huelgas Ensemble, Collegium Vocale, La Capilla Flamenca e Het Muziek Lod. Consoante o programa, assim o ensemble se complementa com diferentes vocalistas e instrumentistas da Bélgica, Holanda, França e Itália.
Baseando-se no respeito profundo pelo passado e apoiando-se em apurados estudos musicológicos, os Zefiro Torna fazem renascer, de forma única, o património cultural, sobretudo o medieval, renascentista e barroco. Não admira, por isso, que o grupo opte por utilizar instrumentos autênticos e técnicas históricas de canto, interpretação e improvisação, embora acrescentem, naturalmente, os seus próprios elementos criativos.
Os Zefiro Torna editaram, até à data, seis registos: "Mermaphilia" (2002, Eufoda), cujos textos históricos evocam o mundo imaginário da Sirena; "El Noi de la Mare" (2004, Et’Cetera), galardoado, em 2005, com o prémio "Klara Muziekprijs" para o Melhor Disco da Flandres, Melhor Produção de Música Clássica e "Prémio do Público"; "Les Tisserands" (2006 Homerecords), em que textos medievais e melodias de trovadores como Macabrun e Miraval coabitam com melodias contemporâneas de Jowan Merckx; De Fragilitate: Piae Cantiones (2007 Et’Cetera), uma colecção de cantos escolares e cânticos religiosos provenientes da Finlândia medieval, premiado com o prestigiado Diapason d’Or; Greghesche (2008 Et’Cetera), um tesouro musical da Renascença veneziana; e Assim (2009 Homerecords), uma co-produção em que Dick van der Harst escreveu uma composição baseada nos trabalhos de Jacob Obrecht e na tradição dos gamelões de Java.
O disco que aqui se destaca é o brilhante “De Fragilitate (Hymns from medieval Finland)”, baseado na compilação Piae Cantiones ecclesiasticae et scholasticae veterum episcoporum, com 74 canções em latim da Idade Média tardia, reunidas por Jacobus Finno e publicada em 1582 pelo aristocrata finlandês Theodoricus Petri Nylandensi.
Muitas das canções e melodias de “Piae Cantiones” são originárias da Europa Central mas algumas parecem ter sido escritas em países nórdicos. Existe uma controvérsia sobre se a obra total deva ser atribuída à Suécia ou à Finlândia, uma vez que, na altura da publicação, a Finlândia era parte integrante da Suécia.
Apesar de ter sido publicada em 1582, a melodia de Piae Cantiones é medieval por natureza. A tradução finlandesa de Piae Cantiones por Hemming of Masku é considerada a primeira obra de hinos da Finlândia, ainda que Piae Cantiones seja mais um produto da cultura católica medieval que um produto de uma só nação.
As letras das composições incluídas na colecção Piae Cantiones, executadas na época em diversas escolas catedrais finlandesas, testemunham de forma moderada a Reforma Protestante no Norte da Europa. Apesar de algumas nuances católicas terem sido retiradas, muitas canções ainda carregam traços fortes do culto a Maria, Mãe de Jesus, e actualmente são ainda utilizadas como canções de Natal, nomeadamente Personent hodie e Tempus adest floridum.
As canções de Piae Cantiones continuaram a ser populares nas escolas finlandesas até ao século XIX mas, gradualmente, foram caindo em desuso. No entanto, um novo interesse pela música antiga tornou a colecção muito popular na Escandinávia e surge agora como repertório padrão de vários coros finlandeses e suecos.
Zefiro Torna interpreta as Piae Cantiones com réplicas de instrumentos do século XV e é acompanhado por Jowan Merckx (gaita de foles e guizos), Frank Van Eycken (percussão), pelo finlandês Timo Väänänen (do grupo folk Loituma, que toca kantele nórdico) e por um grupo de vozes do Antwerp Cathedral Choir, sob a direcção de Sebastiaan Van Steenberge.
Mais informações em: http://www.zefirotorna.be/

(06) Personent Hodie (1:30)
(21) Tempus Adest Floridum (1:42)
(15) Scholares Convenite (3:35)
(18) Sum In Aliena Provincia (2:25)
(16) Zachaeus Arboris (1:35)
(14) Cum Sit Omnis Caro Foenum (3:02)
(12) Kurja, Paha Syntinen (4:44)
(20) In Vernali Tempore (2:43)

(Separador)

“Com poemas de Rodolphe de Fénis-Neuchâtel, Blanche de Castille e Walther von der Vogelweide, trovadores europeus medievais, encerramos o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Ensemble Lucidarium (Suíça) (6) Gewan ichze minnen ie guoten wan (6:36) “Troubadours & Minnesänger”
(2) Ensemble Perceval (França) (14) Amour ou troptard (5:27) “Minnesänger Troubadours Trouvères”
(3) Dekameron (Polónia) (13) Under der linden (4:53) “A Tale of Medieval Love”
(4) Ensemble für frühe Musik Augsburg (Alemanha) (8) Under der linden an der heide (3:13) “Trobadors Trouvères Minnesänger”