“Do
Paquistão chega-nos um raga adornado pelo saxofone, da Índia uma canção de amor enriquecida
pela guitarra e de Marrocos o
exotismo do deserto impregnado de vocalizações rap. Felizes casamentos entre sonoridades tradicionais e
outras formas de expressão contemporâneas abrem a primeira parte do Templo
das Heresias”.
(1) Jan
Garbarek/Ustad Fateh Ali Khan (Noruega/ Paquistão) (1) Raga I (8:40) “Ragas and Sagas”
(2) Nitin Sawhney (Inglaterra/ Índia) (3) Hope (5:51)
“Migration”
(3) Natacha
Atlas (Marrocos/ Bélgica) (9) La lil Khowf (5:30) “Mishmaoul”
(Separador)
“Inicialmente
um trio constituído por Benjamín Escoriza (Colomera, Espanha), Faín Dueñas (Valladolid, Espanha) e Vincent Molino (Montpellier, França), os Radio Tarifa são agora um duo, após o
falecimento do primeiro em 2012. Contando
com vários convidados ao longo da sua carreira, definem a sua música como
“Radio Tarifa”, no original escrito em caracteres gregos, frequência paralela
onde coabitam, entre outras influências, a música medieval, a música árabe e o
flamenco.
Danças proibidas, rumbas de vício, rituais pagãos
celebrados em vielas recônditas, ópios de carne e areia, picadas de insetos
destilando venenos de especiarias elaborados por dezenas
de instrumentos acústicos e eletrónicos, árabes, indianos, africanos, balcânicos
e medievais fazem da música dos Rádio Tarifa um delírio para os ouvidos.
“Rumba Argelina” (Musica Sin Fin, 1993), “Temporal” (BMG, 1996), “Cruzando el Río” (World Circuit, 2000),
o disco ao vivo “Fiebre” (BMG, 2003)
e “La Noche” (Buda Musique, 2025), constituem
a discografia dos Radio Tarifa, até à data. Em todos eles, existem pedaços de
folclore galego e castelhano, o canto jondo e as tradições cristã, árabe e
sefardita, que remontam à Idade Média. Seja qual for o enquadramento, os Radio
Tarifa procedem a um deslocamento de referências que faz com que a sua música
se constitua em algo de disforme, como se a luz do Mediterrâneo se visse
ofuscada por um eclipse e a ação se desenrolasse numa atmosfera de trevas e
conspirações”.
(01) La Noche (2:44) “La Noche”
(11)
Si J’ai perdu mon ami (2:36) “Cruzando
el Río”
(07)
Conductus (3:58) “Temporal”
(03) Lamma Bada (4:08) “Rumba
Argelina”
(10) Nu alrest (7:10) “Rumba
Argelina”
(12)
Sakura (2:28) “La Noche”
(Separador)
“Um canto da Grécia
Continental; uma peça do Radif, o repertório da arte musical da Pérsia; uma improvisação baseada na
música do Egito do tempo dos Faraós;
um lamento de uma adolescente da Arménia;
e uma canção tradicional da Sardenha
que festeja o regresso da Primavera. É com sonoridades extraídas das cordas do laoûto, do setâr, do kanoun, do târ e da mandola que encerramos a primeira parte do Templo das Heresias”.
(1) Christos Zotos/Ionna Anghélou (Grécia) (10) Amanes (5:46)
“Music from Continental Greece”
(2) Dariush Tala’i (Irão)) (24) Chahâr gusheh (2:06) “Radif, Volume I”
(3) Soliman
Gamil (Egito) (13) Solo kanoun (2:25) “The Egyptian Music”
(4) Kotchnak
(Arménia) (8) Gulizari voghpe (4:53) “Chants Populaires Arméniens”
(5) Elena Ledda e Sonos (Sardenha) (2)
Gioghende… (4:11) “Incanti”
2ª Hora
“Duas
cantigas de amigo de Martin Codax (o
supremo trovador de Vigo), a abrir e a fechar o bloco; uma canção sefardita
em ladino, a língua dos judeus que habitaram a Península Ibérica na
Idade Média; uma Cantiga de Santa Maria,
de Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela (1221-1284); e um tema do Llibre Vermell de Montserrat da
Catalunha do século XIV. São os sons que abrem as portas do Templo das Heresias
para a segunda parte da cerimónia”.
(1) Isabel Palacios (Venezuela) (1)
Ondas do Mar de Vigo (3:16) “Rosas das
Rosas: Cantos y Cantigas de la Edad Media”
(2) Suzy (Turquia) (3)
Mar de leche (3:30) “Herencia”
(3) Maciej Malenczuk & Consort
(Polónia) (6) Strela do dia (3:31) “Cantigas de Santa Maria”
(4) Musica Officinalis (Itália) (11)
Mariam matrem virginem (4:05) “Amorei”
(5) Música Antiga da UFF (Brasil)
(6) Ay Deus, se sab’ora (3:10) “Cânticos
de Amor e Louvor”
(Separador)
“Fundado
em 1967 por Winsome Evans, docente da Universidade de Sidney, o ensemble The Renaissance Players é o mais conceituado agrupamento australiano dedicado à
música antiga. Tornou-se conhecido principalmente pelos seus variados e
imaginativos concertos, que comportam poesia, música, dança e procissões. Como
o próprio nome indica, The Renaissance Players foram constituídos para
demonstrar a função particular do ensemble em dar uma nova vida e fazer reviver
a música do passado, baseando o seu trabalho numa recolha exaustiva e posterior
estudo e prática, no sentido de reproduzirem os estilos e géneros musicais há
muito perdidos no tempo.
O projeto mais ambicioso, e provavelmente o mais conseguido, dos Renaissance Players foi a edição da caixa com 4 CDs “The Sephardic Experience” (Celestial Harmonies), dedicada ao espólio das comunidades sefarditas da Europa, Império Otomano e Norte de África, (previamente editado nos registos “Thorns of Fire”, “Apples & Honey”, “Gazelle & Flea” e “Eggplants”).
Após terem sido expulsos de Espanha, em 1492, pelos reis católicos Fernando e Isabel, os judeus sefarditas empreendem o caminho do desterro e levam consigo a língua e as canções da sua terra, mais madrasta que mãe. Apesar da sua diáspora, ou talvez justamente por essa razão, durante cinco séculos, conservaram certas características ibéricas nas suas canções, que em Espanha e Portugal se foram perdendo. São estas canções que o ensemble The Renaissance Players recolheu e interpreta magistralmente em “The Sephardic Experience”.
(02) El Rey de Francia tres hijas tenia (7:58) “Gazelle & Flea”
(07) Si la mar era de leche (6:40) “Eggplants”
(10) Salgas Madre (5:10) “Eggplants”
(Separador)
“Duas
cantigas de louvor a Santa Maria e
um exemplo português da herança
deixada pelos povos do Médio Oriente e do Mediterrâneo. A música medieval
interpretada por vozes provenientes do
México, Irão/Canadá e Portugal encerram as portas do Templo das Heresias”.
(1) Jaramar
(México) (4) Muito devemos varoes (3:21) “Lenguas”
(2) Constantinople (Irão/Canadá) (11) Pero
que seja a gente, Virgen Madre (7:06) “Carrefour
de la Méditerranée”
(3) Eduardo Ramos (Portugal) (1) Fonte do
salgueirinho (9:34) “Al-Garhb Al-Andalus
(O Ocidente do Andalus)”


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