2010/07/18

Aromates (França) / Martin Best Medieval Ensemble (Inglaterra)

“Um texto religioso judaico, um canto cigano da Rússia, uma canção tradicional da Sérvia e uma melodia de sevdah (característica de Herzegovina). São os sons que abrem hoje as portas do Templo das Heresias”.

(1) The Klezmatics (Israel/EUA) (10) Ale Brider (até 3:56) “Brother Moses Smote the Water”
(2) Loyko (Rússia) (I. 16) Gulya (5:47) “Road of the Gypsies”
(3) Boris Kovac & Ladaaba Orchest (Sérvia) (12) In Bukovac (4:40) “Ballads at the End of Time”
(4) Mostar Sevdah Reunion (Bósnia/Herzegovina) (10) Psenicica Sitno Sjeme (3:01) “Mostar Sevdah Reunion”

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O Ensemble Aromates, liderado por Michèle Claude, depois de lançar dois discos na Alpha, dedicados à música arabo-andalusa do Médio Oriente (“Jardin de Myrtes: Mélodies andalouses du Moyen-Orient” e “Rayon de Lune: Musique des Ommeyades”), propôs-se agora revisitar a música do nordeste do Mediterrâneo, mais precisamente do sul dos Balcâs.
No cruzamento entre o Oriente e o Ocidente, os Balcâs possuem uma dupla herança em que as influências se encontram e se fundem para dar origem aos estilos típicos da região. Sob a influência otomana durante alguns séculos, os Balcâs apreenderam e guardaram o gosto pelos ritmos irregulares que Bartok qualificou de ritmos “Aksak”, termo turco que significa “coxo”, reassumindo também a designação de uma moda balcânica muito conhecida, a famosa “moda Bartok”.
Conhecida pelas suas danças e pelos seus cantos religiosos, a música balcânica possui, no entanto, um restrito repertório de música erudita e Michèle Claude e os Aromates optaram por tentar colmatar essa lacuna. A líder dos Aromates mergulhou, assim, nos perfumes de temas búlgaros, macedónios ou gregos, piscou o olho à música erudita e à improvisação e baseou-se em ornamentações ocidentais e nas melodias ciganas.
“Aksak: Mélodies du sud des Balkans” (2009 Alpha), o resultado desse fascínio pelas sonoridades da Península Balcânica, assume-se, assim, por um registo inovador, que nos revela um surpreendente oriente erudito. Para o efeito, músicos de formação clássica utilizaram instrumentos antigos (viola de gamba, sanfonas, saltério, organeto, clavecino, percussões) e mais modernas (flautas, violões, contrabaixo…) e deambularam entre a tradição e a improvisação.
Mais informações: http://www.myspace.com/aromates



(11) Manaki (4:00)
(02) Dospat (5:08)
(10) Graovsko (4:26)
(04) Danse 25 (5:00)

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“Um tema de Jaipongan, o género musical característico do oeste da ilha de Java, uma canção do Cambodja de apelo ao esforço, um canto devocional do Tibete e uma história épica do tempo da última dinastia da China. São os sons que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”

(1) Idjah Hadidjah (Indonésia) (5) Arun Bandung (7:11) “Sundanese Jaipong and other Popular Music”
(2) Musicians of the National Dance Company (Cambodja) (1) Breu Peyney (4:52) “Homrong”
(3) Yungchen Lhamo (Tibete) (8) Dradul Nyenkyon (4:10) “Tibet, Tibet”
(4) The Guo Brothers & Shung Tian (China) (11) The Dream of the Red Mansion (5:30) “Yuan”

2ª Hora

“Uma canção sefardita em Ladino, a língua dos judeus que habitaram a Península Ibérica na Idade Média; uma Cantiga de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela (1221-1284); um poema do século XIII do trovador germânico Walter Von der Vogelweide; e um tema da famosa abadessa visionária do século XII, Hildegard von Bingen. A música medieval à luz das novas tecnologias.”

(1) Suzy (Turquia) (3) Mar de leche (3:30) “Herencia”
(2) Maciej Malenczuk & Consort (Polónia) (6) Strela do dia (3:31) “Cantigas de Santa Maria”
(3) Jaramar (México) (3) Palästinalied (5:14) “Lenguas”
(4) Garmarna (Suécia) (7) Virga ac diadema (6,47) “Hildegard von Bingen”

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Martin Best é um dos intérpretes mais importantes do repertório dos trovadores medievais. Fundador de um ensemble de música medieval com o seu nome, é um exímio instrumentista, tendo aprendido guitarra clássica com dois dos maiores mestres do século vinte, Andrés Segovia e John Williams.
Martin Best começou a carreira de músico com uma grande variedade de álbuns instrumentais e vocais abarcando vários séculos (música popular inglesa desde Shakespeare até ao século XX) e diferentes grupos linguísticos (inglês, espanhol, francês e provençal).
Em 1981, Best aperfeiçoou a sua especialidade às tradições dos trovadores europeus, o que, a determinada altura, considerou como o seu "primeiro amor". Nessa altura, resolveu formar o Martin Best Medieval Ensemble, com o qual lançou uma série de gravações, acusticamente inovadoras, sobre um grupo de poetas e de composições, nomeadamente Guiraut Riquier, Bernart de Ventadorn, italianos e franceses contemporâneos de Dante, trovadores e trouvéres, o Lamento de Tristano e as Cantigas de Santa Maria.
Martin Best dá primazia ao texto e é suficientemente comunicativo. É certo que não tem propriamente a mais bela das vozes, mas o que faz, soa de forma convincente e natural, dando a sensação de que passou toda a sua vida a cantar estas canções. Acompanham-no Jeremy Barlow, David Corkhill McLachlan e Alastair, que tocam uma variedade de instrumentos, incluindo tamborim, rabeca, guitarra mourisca, pandeiro, saltério, oud e alaúde.
Graças ao Martin Best Medieval Ensemble, há uma série de gravações excelentes que dão um sabor generoso da música e da época dos trovadores, cuja influência na poesia e na música foi substancial, e cujos comentários sobre usos e costumes da Idade Média são referências inestimáveis para a compreensão de certos aspectos da época. Da discografia do Martin Best Medieval Ensemble, salientam-se: “The Last of the Troubadours (The Art & Times of Guiraut Riquier 1230-1292)" (1981 Nimbus), cuja música e poesia celebra o último exemplar conhecido da longa tradição da poesia cantada, que começou no sudoeste da França, no final do século XI; “The Dante Troubadours” (1982 Nimbus), que explora um grupo de trovadores, (Guiraut de Bornelh, Bertran de Born e Arnaul Daniel), que foram colocados por Dante no auge da tradição lírica provençal; “Songs of Chivalry” (1982 Nimbus), que celebra as peripécias dos cavaleiros da França dos séculos XII e XIII; e “Cantigas of Santa Maria of Alfonso X” (1987 Nimbus), que, naturalmente retratam a riqueza das poesias dedicadas à Virgem, no tempo de Afonso X, o Sábio, rei de Castela.
Mais informações em:
http://test.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&sql=41:38894~T1



“Cantigas of Santa Maria of Alfonso X”
(07) Muit é mais a piadade (2:57)
(05) A Santa Maria dadas sejan loores (0:48)
(08) A Virgen, que Deus Madre est (1:25)
(18) Santa Maria loei (0:51)
“The Dante Troubadours”
(08) Can vei la lauzeta (3:40)
“The Last of the Troubadours”
(03) No.m say d’amor (4:16)
(05) Planh for the Lord of Narbonne (4:04)
“Songs of Chivalry”
(17) Pois tals sabers (4:46)
(05) Tan tai amors (3:34)

(Separador)

“Uma Ballade do poeta francês Jehan de Lescurel e uma ballata do italiano Gherardello da Firenze, ambas do século XIV; um tema anónimo da França do século XIII; e um romance do Al-Andaluz de Pérez de Hita do século XVI. São os sons que encerram o Templo das Heresias”.

(1) Amadis (França) (3) Amours, trop vous dói cherir (4:08) “Anges ou démons”
(2) Mediva (Inglaterra) (3) I’vo’ bene (3:54) "Viva Mediva!"
(3) La Reverdie (Itália) (5) Pange melos lacrimosum (4:00) “Nox-Lux (France & Angleterre, 1200-1300)”
(4) Begoña Olavide (Espanha) (1) Paseabase el Rey Moro (5:31) “Mudejar”

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