“Um casamento perfeito entre as vozes do Gabão e a música clássica europeia; um canto de encorajamento ao trabalho, da Costa do Marfim; um tema inspirado nos cânticos dos pigmeus da África Central; uma variação baseada nas melopeias tradicionais dos nativos americanos; e uma melodia dos índios Shawnee (EUA), habitualmente entoado no final das colheitas. São os sons que abrem hoje as portas do Templo das Heresias”.
(1) Lambarena (Gabão/Alemanha) (2) Sankanda+Lasset uns den nicht zerteilen (5:00) “Bach to Africa”
(2) Nipa (Ghana) (13) Adjiman Mo (2:12) “Ghana a Capella”
(3) Zap Mama (Bélgica/Zaire) (1) Mupepe (3:50) “Zap Mama”
(4) Faraualla (Itália) (8) Spirits (2:22) “Faraualla”
(5) Yaki Kandru (Colômbia) (9) Canto de los Shawnee (2:16) “Music from the Tropical Rainforest & Other Magic Places”
(Separador)
“Ali Farka Touré nascera em 1939, na aldeia de kanau, junto ao rio Níger, no nordeste do Mali e, aos 67 anos de idade e 55 de carreira de sucesso, foi vencido pela morte. Começou por ganhar proeminência no seu país natal, depois em toda a África Ocidental e, finalmente, no resto do mundo, graças a um contrato com a editora inglesa World Circuit, do qual resultaram dez álbuns, alguns deles em parceria. Celebrado como o John Lee Hooker africano, Ali Farka Touré venceu um grammy graças a “Talking Timbuktu” (1993), álbum gravado em Los Angeles com Ry Gooder, e outro graças a “In the Heart of the Moon” (2005), com Toumani Diabaté, troféus que acrescentou a outros já ganhos anteriormente no Mali.
Toumani Diabaté, de 50 anos de idade, é conhecido como o maior tocador de kora do planeta, a harpa de 21 cordas que tantas vezes aqui divulgámos. Descendente há 71 gerações dos griots mandinka, os contadores de histórias do ocidente africano, Toumani Diabaté foi promovido ao mercado World Music ocidental graças à sua colaboração com os espanhóis Ketama em “Songhai” e “Songhai 2”. Em 99, Toumani Diabaté encetaria novas parcerias: com Ballaké Sissoko e com Taj Mahal, das quais resultaram respectivamente os brilhantes álbuns “New Ancient Strings” e “Kulanjan”, aqui atempadamente destacados.
Em 2005, Ali Farka Touré e Toumani Diabaté criaram o fabuloso “In the Heart of the Moon”, vencedor de um grammy, e, em 2010, regressam com “Ali & Toumani”, um álbum gravado pouco antes da morte de Ali Farka Touré. Para a sua realização contam com a contribuição de Orlando "Cachaíto" López no baixo, Vieux Farka Touré nas congas e vocais, Souleye Kane e Ali Magasa nas vozes e Tim Keiper na percussão. Tal como em “In the Heart of the Moon”, o que podemos ouvir em “Ali & Toumani” são complexas tapeçarias musicais, tecidas através de sinuosos mas sempre dialogantes improvisos, que se entrecruzam com uma elegância e espiritualidade transcendentes. Desta vez maioritariamente instrumental, “Ali & Toumani” revela-nos os dois mais importantes músicos do Mali ao seu melhor nível. Edição da World Circuit e distribução da Megamúsica.
Mais informações em: http://www.worldcircuit.co.uk/#Home
(03) Be Mankan (5:07)
(10) Machengoidi (5:01)
(09) Fantasy (2:15)
(01) Ruby (5:50)
(Separador)
“Temas populares nostálgicos provenientes do Peru e do México; um bolero de Cuba; um diálogo entre as tradições do Senegal e das Caraíbas; e um tema tradicional de Cabo Verde. São os sons que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Susana Baca (Peru) (3) Heces (2:48) “Susana Baca”
(2) Lila Downs (México) (10) Paloma Negra (4:30) “Una Sangre One Blood”
(3) Buena Vista Social Club (Cuba) (7) Veinte años (3:32) “Buena Vista Social Club”
(4) Orcherstra Baobab (Senegal) (7) Hommage à Tonton Ferrer (5:52) “Specialist in all Styles”
(5) Simentera (Cabo Verde) (1) Ami Xintadu (4:32) “Tradictional”
2ª Hora
“Um poema árabo-andaluz do século XI; um hino religioso bizantino à Virgem Theotokos; e uma Cantiga de Santa Maria do século XIII, de Afonso X, de Castela.”
(1) Jon Balke/Amina Alaoui (Noruega/Marrocos) (3) Jadwa (5:18) “Siwan”
(2) Sophia Papazoglou (Grécia) (13) At the Beauty of your Virginity (8:22) “World Festival of Sacred Music Europe”
(3) Ensemble Wayal (França/Espanha) (13) A que por nos salvar (4:11) “Cantigas et Romances: Chants d’amour et de sagesse (XIe-XIVe siècles)”
(Separador)
O Império Carolíngio marca um momento importante na história da poesia e da música medieval do ocidente europeu. No manuscrito Lat 1154, da Aquitânia, escrito entre o final do século IX e o início do século X, agora guardado em Paris, encontraram-se uma série de composições, algumas delas com notação musical, relacionadas com factos históricos do tempo de Carlos Magno. Constitui, assim, uma verdadeira compilação testamentária da cultura carolíngia e um precioso contributo para entendermos a música e a poesia do primeiro milénio.
Ainda que em reduzido número, as canções incluídas no manuscrito representam um importante “repertório” da época, oferecendo o conhecimento da tradição épica e do quotidiano, com fortes reminiscências da tradição latina clássica, nomeadamente de Virgílio, Horácio e Boécio. Com efeito, o período carolíngio foi fundamental para o renascimento de uma tradição clássica que as invasões bárbaras tinham interrompido. De facto, um conjunto de elementos da tradição greco-romana serviu de base para a emergência de uma nova cultura.
É sobre as produções poéticas e musicais do Império Carolíngio, que o Ensemble Cantilena Antiqua, se debruça no fabuloso registo “Epos: Music of Carolingian era” (Documenta, 2009). Fundado por Stefano Albarello em Bolonha (Itália), em 1987, e composto por músicos que se especializaram em realizar simultaneamente repertórios sagrados e profanos, o Ensemble Cantilena Antiqua encetou uma investigação cuidada em fontes musicais, na literatura e na história da época medieval, assegurando, o mais possível, uma fidelidade à tradição, de modo a preservar os sons e os estilos originais do período que abarcam. Naturalmente que o Ensemble Cantilena Antiqua faz uso de réplicas de instrumentos do tempo para aprofundar particularmente o aspecto do desempenho, nomeadamente as tibiae (flautas), a fidula (instrumento de cordas), a cithara, a lyra, o psalterium (dulcimer) e a percussão.
“Epos: Music of Carolingian era” contém, assim, preciosas relíquias de uma época musicalmente pouco explorada e quase nunca interpretada nos tempos modernos. Ouvi-lo significa uma oportunidade única para desfrutar do mais antigo repertório medieval profano que chegou até nós, bem como do seu encanto poético e sonoro.
Dos dois temas anónimos retirados do manuscrito Lat 1154 e incluídos em “Epos”, saliente-se Planctus Karoli ("Lamento [sobre] a morte de Carlos Magno"), um poema associado ao Renascimento Carolíngio em letras latinas e um elogio ao monarca Carlos Magno, escrito em verso, pouco depois da sua morte em 814. Também retirados de Lat 1154, incluem o disco dos Cantilena Antiqua dois poemas contemporâneos: Ut quid iubes pusiole de Godescalcus de Orbais (teólogo e poeta nascido na Saxônia, expulso do mosteiro de Fulda, após ter sido acusado de heresia), que aborda a sua grande angústia sobre o exílio; e Aurora cum primo mane de Agilbertus (poeta e diplomata de ascendência franca, que passou os seus primeiros anos na corte de Carlos Magno e, mais tarde, se tornou abade em Saint-Riquier), que retrata a batalha de Fontenoy. De Boécio (Severinus Boethius, c. 475 a 480 - 524), filósofo, estadista e teólogo romano (cuja reavaliação da sua figura e obra se deve à dinastia carolíngia) estão incluídos em “Epos” duas composições do seu trabalho “De philosophiae consolatione”. De Horácio (Quintus Horatius, 65 - 8 a.C.), poeta lírico, satírico e filósofo latino nascido em Venúsia (Itália), cuja obra exerceu forte influência sobre os autores renascentistas e classicistas em geral, estão incluídos os temas Albi ne doleas e Est mihi nonum retirados das Odes. De Virgílio (Publius Vergilius Maro, 70 - 19 a.C.), cantor da tradição criadora e conservadora da grandeza de Roma e o poeta mais conceituado do seu tempo estão em “Music of Carolingian era” os temas Aeneis Liber II e Aeneis Liber IV retirados da obra-prima Eneida, que, surpreendentemente, continha já fragmentos de música, constituindo, assim, um precioso documento que atesta o facto de que, no início da Idade Média, era uma prática comum cantar os versos desse monumental poema.
Mais informações em: http://web.tiscali.it/cantilenantiqua/
(02) Ut quid iubes pusiole (7:04)
(01) Bella bis quinis (6:16)
(07) Albi ne doleas (3:23)
(09) Est mihi nonum (3:49)
(Separador)
“Uma cantiga trovadoresca de Guilhem de Peitieu, do século XII; uma Canção de Trobairitz da Condessa Beatriz de Dia, também do século XII; e uma Cantiga de Amigo, de Martim Codax, o supremo trovador de Vigo, do século XIII. São os sons que encerram o Templo das Heresias”.
(1) La Capella Reial de Catalunya/Hespèrion XXI/Jordi Savall (Espanha) - (I.11) Pos de chantar (6:06) “Le Royaume Oublié: La Croisade contre les Albigeois/La tragédie Cathare”
(2) Música Antiga da UFF (Brasil) (2) A chantar m’er de so q’ieu no volria (6:19) “A chantar: Trovadoras Medievais”
(3) The Dufay Collective (Inglaterra) (13) Mandad’ei comigo (5:52) “Music for Alfonso the Wise”.
Viagens sonoras através do tempo e do espaço...
2010/04/12
2010/03/21
Staff Benda Bilili (Congo) / Speculum (Espanha)
“A kora e o balafon da Guiné Bissau, do Mali e da Guiné Conákri tecem melodias sobre o baixo, o trombone e a guitarra de músicos da Suíça e dos EUA. Extraordinários encontros entre compositores ocidentais e africanos abrem hoje as portas do Templo das Heresias”.
(1) Taffetas (2) Saudade do meu Amor (8:47) “Taffetas”
(2) Roswell Rudd & Toumani Diabate (1) Bamako (4:50) “Malicool”
(3) Djeli Moussa Diawara & Bob Brozman (3) Almany (5:42) “Ocean Blues”
(Separador)
Staff Benda Bilili é um grupo de músicos de rua, proveniente de Kinshasa (Congo), que se afirmou como uma das grandes revelações de 2009, tendo ganho o prémio de melhor intérprete do ano, no Womex (World Music Expo).
O núcleo dos Staff Benda Bilili é composto por quatro cantores / guitarristas, todos eles deficientes físicos, que sofreram de poliomielite quando eram jovens, e se movimentam em cadeiras de rodas ou triciclos espectacularmente personalizados. São apoiados por uma secção de ritmo, composta por crianças e adolescentes de rua abandonados e que foram tomados sob a protecção dos membros mais velhos da banda. O solista é um jovem de 18 anos de idade que toca solos surpreendentes, numa espécie de alaúde de uma corda que ele próprio projectou e construiu a partir de uma lata. Paraplégicos, incapazes de trabalhar, pobres e forçados a viver na rua da República Democrática do Congo, recebendo um diminuto apoio do estado, os jovens tornaram-se músicos de rua, até que foram descobertos por um par de cineastas franceses e lançam “Très Très Fort”, o primeiro álbum.
Produzido por Vincent Kenis, o responsável pelo som electro-artesanal dos Kasaï Allstars e dos Konono nº1, e editado pela etiqueta belga Crammed Discs (distribuição Megamúsica), “Très Très Fort”, apresenta letras poderosas, que chamam a atenção para uma série de importantes questões sociais, nomeadamente a pobreza, a deficiente saúde pública e a violência em África. A música, criada a partir de instrumentos acústicos inventados, é uma mistura de sonoridades tradicionais e modernas, com pitadas de jazz cubano, afro-pop, soul, rumba, rhythm'n'blues e reggae.
Imagine-se todos os músicos do grupo sentados em círculo, a tocar e a cantar (em várias línguas) construindo harmonias vocais (uma das suas imagens de marca), alimentando-se uns aos outros, interagindo com os espectadores, com performances todas diferentes. Com efeito, a maior parte de “Très Très Fort” foi gravado ao ar livre, nos enclaves desabrigados próximos do jardim zoológico em Kinshasa, onde os membros da Staff Benda Bilili chamam de casa há bastante tempo.
A música de Très Très Fort é poderosa, familiar e agradável e transpira uma emoção desconcertante e surpreendente. Um dos álbuns do ano.
Mais informações em: http://www.myspace.com/staffbendabilili
(02) Polio (3:08)
(04) Sala Keba (4:25)
(09) Marguerite (6:45)
(01) Moto Moindo (5:47)
(Separador)
“Um tema popular egípcio sobre a decepção provocada pelo amor não correspondido, um canto religioso da Tunísia de louvor a Deus, uma canção evocativa da abertura das portas do Grande bazar de Istanbul e uma típica peça folk dos portos de Creta, sobre a desilusão amorosa. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Hanan (4) Matajarahnish (4:12) “Sif Safaa: New Music from the Middle East”
(2) Jerrari (1) Sidi Mansour (5:50) “Tunisie: Chants & Rythmes”
(3) Istanbul Oriental Ensemble (1) Elden Ele (4:51) “Grand Bazaar”
(4) Ross Daly & Labyrinth (6) Afou ‘Heis Allon Sti Kardia (5:27) “Mitos”
2ª Hora
“Uma balada de um compositor e poeta da França dos finais do século XIII; um romance dos judeus sefarditas; uma cantiga de Santa Maria, de Afonso X, rei de Castela; e duas danças italianas dos séculos XIII e XIV. São os sons que abrem as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Ensemble Syntagma (Rússia/França) – Abundance de felonie (3:55) “Jehan de Lescurel, Ex Tempore. Vocal-Instrumental Poem”
(2) Ensemble Accentus (Áustria) (4) Partos trocados (5:54) “Sephardic Romances”
(3) Dekameron (Polónia) (1) Como Jesu Christo fezo a San Pedro (3:47) “Ave Mater, O Maria!”
(4) Musica Historica (Hungria) (19) Saltarello II (1:46) “Amor ey”
(5) Ioculatores (Alemanha) (11) Trotto (2:16) “Songs and Dances of the 13th to 15th Centuries”
(Separador)
Dirigido por Ernesto Schmied, um especialista em flautas históricas, o grupo espanhol Speculum tem-se dedicado, desde 1996, ano da sua formação, à recuperação da música da Idade Média em diante. Centrando-se, preferencialmente, na Ars Hispanica, os Speculum têm contribuído decisivamente para o conhecimento de um património tão raramente explorado, mas de primordial importância no panorama da música antiga.
Debruçando-se sobre diversos manuscritos europeus, os Speculum encetam um minucioso trabalho de pesquisa e utilizam vozes e instrumentos perfeitos para traçar as linhas da arquitectura musical medieval, renascentista e barroca.
Segundo os próprios Speculum, o significado da criação musical para o grupo está perfeitamente expresso nas palavras do famoso escritor e humanista britânico do século XV, Thomas More, num fragmento da Utopia: "...toda a sua música, a que criam com instrumentos e a que cantam com a voz humana, expressa as paixões e os afectos naturais; o timbre e a melodia elaboram-se à medida da obra, seja de uma oração ou uma canção alegre, sossegada, agitada, de lamentação ou de ira; representam o significado de cada estado de espírito e, maravilhosamente, logram comover, provocar, penetrar e inflamar as almas dos que a escutam."
O impacto da música dos Speculum tem sido tão frutífero e determinante que, desde a sua fundação, têm sido, por variadíssimas ocasiões, convidados para diversos eventos europeus, sobretudo na Península Ibérica, onde têm actuado em praticamente todos os festivais importantes.
Conjugando a música e a poesia da Idade Média espanhola em espectáculos de grande rigor e dramatismo e elaborando programas temáticos apelativos, os Speculum lograram, de uma forma subtil, aproximar o público dos cada vez mais apreciados meandros da música antiga.
Até à data, os especialistas da Ars Nova espanhola editaram sete registos fundamentais: “Fumeux fume par fumee” (1998), premiado com o prestigioso Choc de Le Monde de la Musique, em Janeiro de 2000; “Il Grant Desio e la Dolce Esperanza” (2006), o primeiro disco dedicado integralmente ao Cancioneiro do Escorial, co-produzido pela Comunidad de Madrid e pela etiqueta Openmusic para a colecção Madrid en su Música; “Cancionero de El Escorial” (2007) uma colaboração dos Speculum com o fantástico contratenor Carlos Mena, galardoado com 5 DIAPASONS (revista Diapason) e 4 estrelas no Le Monde de la Musique; “Ars Mediterranea” (2008), um variado repertório musical das diferentes expressões do Mediterrâneo; “O Rosa Bella, Cancionero de El Escorial, Vol. III” (2008); Live (2009); e “Splendor” (2009), o volume IV dedicado ao impressionante cancioneiro que se alberga na Biblioteca do Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial.
Mais informações em: http://www.openmusic.es/autores/mostrar/18-speculum
(01) O Virgo Splendens (2:29) “Fumeux fume par fumee”
(16) Imperayritz de la ciudad ioyosa (4:05) “Il Grant Desio e la Dolce Esperanza”
(13) Amours me fait commencier (4:53) “Ars Mediterranea”
(05) Ne vous plaindes de mes yeulx (5:13) “Cancionero de El Escorial”
(17) Mercé te chiamo, o dolze anima mia (4:35) “O Rosa Bella”
(15) De tous bien playne (4:49) “Splendor”
(Separador)
““Uma outra balada do compositor e poeta francês Jehan de Lescurel, dos finais do século XIII/inícios do XIV; uma cantiga de amor do século XII do trovador catalão Berenguer de Palou; e mais uma cantiga do século XIII, de louvor à Virgem Maria. Assim se encerra o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Amadis (França) (3) Amours, trop vous dói cherir (4:08) “Anges ou démons”
(2) Ensemble Cantilena Antiqua (Itália) (2) Ai tal domna (5:09) “Ondas do Mar”
(3) The Renaissance Players Winsome Evans (Austrália) (14) Virgen Madre Groriosa (10:08) “Of Numbers and Miracles”
(1) Taffetas (2) Saudade do meu Amor (8:47) “Taffetas”
(2) Roswell Rudd & Toumani Diabate (1) Bamako (4:50) “Malicool”
(3) Djeli Moussa Diawara & Bob Brozman (3) Almany (5:42) “Ocean Blues”
(Separador)
Staff Benda Bilili é um grupo de músicos de rua, proveniente de Kinshasa (Congo), que se afirmou como uma das grandes revelações de 2009, tendo ganho o prémio de melhor intérprete do ano, no Womex (World Music Expo).
O núcleo dos Staff Benda Bilili é composto por quatro cantores / guitarristas, todos eles deficientes físicos, que sofreram de poliomielite quando eram jovens, e se movimentam em cadeiras de rodas ou triciclos espectacularmente personalizados. São apoiados por uma secção de ritmo, composta por crianças e adolescentes de rua abandonados e que foram tomados sob a protecção dos membros mais velhos da banda. O solista é um jovem de 18 anos de idade que toca solos surpreendentes, numa espécie de alaúde de uma corda que ele próprio projectou e construiu a partir de uma lata. Paraplégicos, incapazes de trabalhar, pobres e forçados a viver na rua da República Democrática do Congo, recebendo um diminuto apoio do estado, os jovens tornaram-se músicos de rua, até que foram descobertos por um par de cineastas franceses e lançam “Très Très Fort”, o primeiro álbum.
Produzido por Vincent Kenis, o responsável pelo som electro-artesanal dos Kasaï Allstars e dos Konono nº1, e editado pela etiqueta belga Crammed Discs (distribuição Megamúsica), “Très Très Fort”, apresenta letras poderosas, que chamam a atenção para uma série de importantes questões sociais, nomeadamente a pobreza, a deficiente saúde pública e a violência em África. A música, criada a partir de instrumentos acústicos inventados, é uma mistura de sonoridades tradicionais e modernas, com pitadas de jazz cubano, afro-pop, soul, rumba, rhythm'n'blues e reggae.
Imagine-se todos os músicos do grupo sentados em círculo, a tocar e a cantar (em várias línguas) construindo harmonias vocais (uma das suas imagens de marca), alimentando-se uns aos outros, interagindo com os espectadores, com performances todas diferentes. Com efeito, a maior parte de “Très Très Fort” foi gravado ao ar livre, nos enclaves desabrigados próximos do jardim zoológico em Kinshasa, onde os membros da Staff Benda Bilili chamam de casa há bastante tempo.
A música de Très Très Fort é poderosa, familiar e agradável e transpira uma emoção desconcertante e surpreendente. Um dos álbuns do ano.
Mais informações em: http://www.myspace.com/staffbendabilili
(02) Polio (3:08)
(04) Sala Keba (4:25)
(09) Marguerite (6:45)
(01) Moto Moindo (5:47)
(Separador)
“Um tema popular egípcio sobre a decepção provocada pelo amor não correspondido, um canto religioso da Tunísia de louvor a Deus, uma canção evocativa da abertura das portas do Grande bazar de Istanbul e uma típica peça folk dos portos de Creta, sobre a desilusão amorosa. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Hanan (4) Matajarahnish (4:12) “Sif Safaa: New Music from the Middle East”
(2) Jerrari (1) Sidi Mansour (5:50) “Tunisie: Chants & Rythmes”
(3) Istanbul Oriental Ensemble (1) Elden Ele (4:51) “Grand Bazaar”
(4) Ross Daly & Labyrinth (6) Afou ‘Heis Allon Sti Kardia (5:27) “Mitos”
2ª Hora
“Uma balada de um compositor e poeta da França dos finais do século XIII; um romance dos judeus sefarditas; uma cantiga de Santa Maria, de Afonso X, rei de Castela; e duas danças italianas dos séculos XIII e XIV. São os sons que abrem as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Ensemble Syntagma (Rússia/França) – Abundance de felonie (3:55) “Jehan de Lescurel, Ex Tempore. Vocal-Instrumental Poem”
(2) Ensemble Accentus (Áustria) (4) Partos trocados (5:54) “Sephardic Romances”
(3) Dekameron (Polónia) (1) Como Jesu Christo fezo a San Pedro (3:47) “Ave Mater, O Maria!”
(4) Musica Historica (Hungria) (19) Saltarello II (1:46) “Amor ey”
(5) Ioculatores (Alemanha) (11) Trotto (2:16) “Songs and Dances of the 13th to 15th Centuries”
(Separador)
Dirigido por Ernesto Schmied, um especialista em flautas históricas, o grupo espanhol Speculum tem-se dedicado, desde 1996, ano da sua formação, à recuperação da música da Idade Média em diante. Centrando-se, preferencialmente, na Ars Hispanica, os Speculum têm contribuído decisivamente para o conhecimento de um património tão raramente explorado, mas de primordial importância no panorama da música antiga.
Debruçando-se sobre diversos manuscritos europeus, os Speculum encetam um minucioso trabalho de pesquisa e utilizam vozes e instrumentos perfeitos para traçar as linhas da arquitectura musical medieval, renascentista e barroca.
Segundo os próprios Speculum, o significado da criação musical para o grupo está perfeitamente expresso nas palavras do famoso escritor e humanista britânico do século XV, Thomas More, num fragmento da Utopia: "...toda a sua música, a que criam com instrumentos e a que cantam com a voz humana, expressa as paixões e os afectos naturais; o timbre e a melodia elaboram-se à medida da obra, seja de uma oração ou uma canção alegre, sossegada, agitada, de lamentação ou de ira; representam o significado de cada estado de espírito e, maravilhosamente, logram comover, provocar, penetrar e inflamar as almas dos que a escutam."
O impacto da música dos Speculum tem sido tão frutífero e determinante que, desde a sua fundação, têm sido, por variadíssimas ocasiões, convidados para diversos eventos europeus, sobretudo na Península Ibérica, onde têm actuado em praticamente todos os festivais importantes.
Conjugando a música e a poesia da Idade Média espanhola em espectáculos de grande rigor e dramatismo e elaborando programas temáticos apelativos, os Speculum lograram, de uma forma subtil, aproximar o público dos cada vez mais apreciados meandros da música antiga.
Até à data, os especialistas da Ars Nova espanhola editaram sete registos fundamentais: “Fumeux fume par fumee” (1998), premiado com o prestigioso Choc de Le Monde de la Musique, em Janeiro de 2000; “Il Grant Desio e la Dolce Esperanza” (2006), o primeiro disco dedicado integralmente ao Cancioneiro do Escorial, co-produzido pela Comunidad de Madrid e pela etiqueta Openmusic para a colecção Madrid en su Música; “Cancionero de El Escorial” (2007) uma colaboração dos Speculum com o fantástico contratenor Carlos Mena, galardoado com 5 DIAPASONS (revista Diapason) e 4 estrelas no Le Monde de la Musique; “Ars Mediterranea” (2008), um variado repertório musical das diferentes expressões do Mediterrâneo; “O Rosa Bella, Cancionero de El Escorial, Vol. III” (2008); Live (2009); e “Splendor” (2009), o volume IV dedicado ao impressionante cancioneiro que se alberga na Biblioteca do Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial.
Mais informações em: http://www.openmusic.es/autores/mostrar/18-speculum
(01) O Virgo Splendens (2:29) “Fumeux fume par fumee”
(16) Imperayritz de la ciudad ioyosa (4:05) “Il Grant Desio e la Dolce Esperanza”
(13) Amours me fait commencier (4:53) “Ars Mediterranea”
(05) Ne vous plaindes de mes yeulx (5:13) “Cancionero de El Escorial”
(17) Mercé te chiamo, o dolze anima mia (4:35) “O Rosa Bella”
(15) De tous bien playne (4:49) “Splendor”
(Separador)
““Uma outra balada do compositor e poeta francês Jehan de Lescurel, dos finais do século XIII/inícios do XIV; uma cantiga de amor do século XII do trovador catalão Berenguer de Palou; e mais uma cantiga do século XIII, de louvor à Virgem Maria. Assim se encerra o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Amadis (França) (3) Amours, trop vous dói cherir (4:08) “Anges ou démons”
(2) Ensemble Cantilena Antiqua (Itália) (2) Ai tal domna (5:09) “Ondas do Mar”
(3) The Renaissance Players Winsome Evans (Austrália) (14) Virgen Madre Groriosa (10:08) “Of Numbers and Miracles”
2010/01/12
Jon Balke & Amina Alaoui (Noruega/Marrocos)/ Amadis (França)
“Uma canção de amor da Guiné Conacri, um tema do Mali sobre a modéstia de uma cantora, uma peça do Senegal moderno e uma melodia da Gâmbia de apelo aos valores do passado. São as primeiras Heresias provenientes do Templo”.
(1) Diéfadima Kanté (9) Diarabi (5:04) “Frankonodou”
(2) N’Gou Bagayoko (4) Sogola Djigui (4:50) “Kulu”
(3) Baaba Maal & Mansour Seck (4) Salminanam (4:25) “Djam Leeli”
(4) Alhaji Bai Konte (7) Alhaji Bamba B. (2:57) “Kora Melodies from the Republic of the Gambia”
(Separador)
O norueguês Jon Balke é um conceituado pianista e compositor de jazz de vanguarda, ligado à prestigiada etiqueta germânica ECM. Balke começou por tocar piano clássico, mudando, aos 12 anos, para o "boogie woogie", e posteriormente, para os meandros do pós-bop. Aos 18 anos, Jon Balke juntou-se ao quarteto de Arild Andersen e tornou-se activo no grupo de Radka Toneff e no de afro-fusão E'olén, antes de ingressar, nos inícios dos anos 80, nos grupos Oslo 13 e Masqualero. A partir de 1989, Jon Balke concentrou-se nos seus próprios projectos, nomeadamente em Jøkleba (com Audun Kleive Audun e Per Jørgensen) e no ainda existente Magnetic North Orchestra. Em 2002, formou o grupo de percussão Batagraf e em 2007 iniciou o projecto Siwan, com a cantora marroquina Amina Alaoui.
Para "Siwan", um projecto de envergadura quase utópico, Jon Balke, revelando uma invulgar abertura de espírito, rodeou-se de intérpretes de jazz contemporâneo, especialistas da música barroca, virtuosos da música oriental e autores de música antiga. Começa por ser impressionante o poder da voz exótica de Amina Alaoui sobre as composições notáveis de Jon Balke para ensemble barroco, com solistas mergulhando no jazz e improvisando sobre as tradições e sobre os domínios da música antiga. Por detrás deste notável integração musical está uma teia de interconexões filosóficas, históricas e literárias, uma vez que Balke e Alaoui se basearam em textos de poetas sufis, de místicos cristãos e de trovadores da Idade Média, interpretados em várias línguas.
Autêntico mosaico de coloridos ricos em misticismo e uma brilhante fusão da tradição com a modernidade, "Siwan" não só possibilita uma reunião entre os músicos do norte e do sul e um criativo encontro de culturas, como também confirma Jon Balke como um compositor de eleição, Amina Alaoui como uma voz marcante, Kheir Eddine M'Kachiche como um poderoso violinista e Jon Hassell como um exímio aglutinador de diversas tradições. Música mágica arrastando raízes profundas, na mesma linha de “Ragas and Sagas”, que o também norueguês Jan Garbarek produziu com o paquistanês Ustad Fateh Ali Khan, para a mesma editora, em 1992, "Siwan" é, indubitavelmente, um dos melhores discos de 2009.
Mais informações em: http://player.ecmrecords.com/siwan
(04) Ya Safwati (5:17)
(06) Itimad (6:43)
(10) Thulâthiyat (10:04)
(Separador)
“Uma canção do Sudão que incita ao optimismo, um tema tradicional da Somália sobre a solidão, um canto popular da Etiópia que mistura a tradição e a modernidade e uma história de um colectivo do Senegal/Tuva/Rússia sobre uma criança que chora a ausência da sua mãe. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Abdel Gadir Salim All-Stars (5) Bassama (4:45) “The Merdoum Kings play Songs of Love”
(2) Waaberi (2) Cidlaan… (até 3:46) “New Dawn”
(3) Abyssinia Infinite (4) Monew Natana (5:12) “Zion Roots”
(4) Vershki da Koreshki (2) Toumkoumani (6:59) “Vershki da Koreshki”
2ª Hora
“Uma cantiga de Santa Maria, de Afonso X, rei de Castela (Século XIII); um texto literário da Sicília do século XV, atribuído ao Imperador normando Federico II; uma dança Anglo-Normanda de autor anónimo; e um canto escolar proveniente da Finlândia medieval. São os sons que abrem as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Eduardo Paniagua (Espanha) (11) Macar é door (7:18) “Remédios Curativos”
(2) Al Qantarah (Itália) (8) Dolce lo mio drudo (6:40) “Abballati, abballati! Songs and sounds in Medieval Sicily”
(3) Ensemble Alcatraz (EUA) (9) El Tens D’Iver (2:21) “Danse Royale”
(4) Zefiro Torna (Bélgica) (15) Scholares Convenite (3:35) “De Fragilitate (Hymns from medieval Finland)”
(Separador)
Diplomada em musicologia pela Universidade de Paris, a francesa Catherine Joussellin começa por integrar o coro da Capela Real, estudar viola da gamba e trabalhar o canto. Actua sob a direcção dos consagrados Clemencic, Leonhardt, Eötvös, Minkowski e Van Nevel e participa em numerosos concertos e festivais. Funda posteriormente os ensembles Discantus e Alla Francesca e trabalha com a Boston Camerata, Gilles Binchois, Douce Mémoire, A Sei Voci e Huelgas Ensemble, com quem grava diversos discos.
Em 1989, Catherine funda o ensemble Amadis, actualmente constituído também por Olivier Marcaud (canto e percussões), Christophe Deslignes (organetto, flautas medievais), Jean-Lou Descamps (sanfona, saltério, tambura) e Xavier Terrasa (canto, chalemie, cornemusa, flautas medievais, symphonie). A partir do seu primeiro concerto na Fundação Boris Vian, o grupo Amadis começa a explorar a cultura medieval, através de linguagens privilegiadas como a literatura e a música.
As interpretações dos AMADIS são baseadas no estudo da notação original do texto e da música das variadas obras medievais (romances, poesias, contos, crónicas, jogos, fábulas, récitas, farsas, canções, reverdies, lais, baladas, rondeaux, virelais, motets...) e decorrem de um interesse particular em procurar as intenções profundas dos autores da época. Posteriormente o ensemble Amadis consagra-se também na criação contemporânea, mas é no seio de grupos como Gilles Binchois, la Chapelle Royale, Huelgas Ensemble, Millenarium, Boston Camerata, Hespérion XXI... que os músicos do ensemble Amadis se revêem.
Ao longo dos anos,Catherine Joussellin criou com o Ensemble Amadis uma adaptação cénica de Roman de Fauvel (um poema satírico do século XIV), a Lenda de Tristan et Yseut, a Lenda do Coeur mangé, o Elogio da Feminilidade (da Idade Média aos nossos dias) e o espectáculo Colette (a partir de músicas de Hahn, Satie e Ravel), entre outras. Editou, ainda, os registos “LE MANUSCRIT NIVELLE DE LA CHAUSSÉE” (ADDA, 1992), “SUR LES CHEMINS DE SAINT-JACQUES” - Cantos dos peregrinos a Santiago de Compostela, dos séculos XII a XV (JADE, 1998 -1999), “MUSIQUE AU TEMPS DE JEHANNE D’ARC” (JADE, 1999), “CANTOS DE LA VIDA” - Cantos dos judeus da Espanha Medieval (DBA, 2004) e “ANGES OU DÉMONS” - baseado nas obras de Jehan de Lescurel e Philippe de Vitry, compositores do século XIV (DBA, 2009).
Mais informações em: http://ensemble.amadis.free.fr/crbst_1.html
(02) A que por muy gran fremosura (1:55) “Sur Les Chemins de Saint-Jacques”
(04) Hija mia mi querida (2:50) “Cantos de la Vida”
(01) Nani, nani (4:51) “Cantos de la Vida”
(06) El Rey de Francia (4:27) “Sur Les Chemins de Saint-Jacques”
(03) Amours, trop vous dói cherir (4:08) “Anges ou démons”
(08) Bontés, sem, valours (4:50) “Anges ou démons”
(Separador)
“Com diversas canções dos judeus sefarditas encerramos o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Ensemble Antequera (Holanda) (2) Nani, nani (2:42) “Jews & Christians”
(2) Ruth Yaakov Ensemble (Israel/Albânia/Arménia/Turquia) (6) Salgash madre (4:12) “Shaatnez: Sefardic Songs of the Balkans”
(3) Lena Rothstein (Grécia) (9) Dia de Shabbat (3:40) “Cantos Judeo-Españoles”
(4) Emil Zrihan (Marrocos) (15) Kochav Tzedek (6:00) “Ashkelon”
(1) Diéfadima Kanté (9) Diarabi (5:04) “Frankonodou”
(2) N’Gou Bagayoko (4) Sogola Djigui (4:50) “Kulu”
(3) Baaba Maal & Mansour Seck (4) Salminanam (4:25) “Djam Leeli”
(4) Alhaji Bai Konte (7) Alhaji Bamba B. (2:57) “Kora Melodies from the Republic of the Gambia”
(Separador)
O norueguês Jon Balke é um conceituado pianista e compositor de jazz de vanguarda, ligado à prestigiada etiqueta germânica ECM. Balke começou por tocar piano clássico, mudando, aos 12 anos, para o "boogie woogie", e posteriormente, para os meandros do pós-bop. Aos 18 anos, Jon Balke juntou-se ao quarteto de Arild Andersen e tornou-se activo no grupo de Radka Toneff e no de afro-fusão E'olén, antes de ingressar, nos inícios dos anos 80, nos grupos Oslo 13 e Masqualero. A partir de 1989, Jon Balke concentrou-se nos seus próprios projectos, nomeadamente em Jøkleba (com Audun Kleive Audun e Per Jørgensen) e no ainda existente Magnetic North Orchestra. Em 2002, formou o grupo de percussão Batagraf e em 2007 iniciou o projecto Siwan, com a cantora marroquina Amina Alaoui.
Para "Siwan", um projecto de envergadura quase utópico, Jon Balke, revelando uma invulgar abertura de espírito, rodeou-se de intérpretes de jazz contemporâneo, especialistas da música barroca, virtuosos da música oriental e autores de música antiga. Começa por ser impressionante o poder da voz exótica de Amina Alaoui sobre as composições notáveis de Jon Balke para ensemble barroco, com solistas mergulhando no jazz e improvisando sobre as tradições e sobre os domínios da música antiga. Por detrás deste notável integração musical está uma teia de interconexões filosóficas, históricas e literárias, uma vez que Balke e Alaoui se basearam em textos de poetas sufis, de místicos cristãos e de trovadores da Idade Média, interpretados em várias línguas.
Autêntico mosaico de coloridos ricos em misticismo e uma brilhante fusão da tradição com a modernidade, "Siwan" não só possibilita uma reunião entre os músicos do norte e do sul e um criativo encontro de culturas, como também confirma Jon Balke como um compositor de eleição, Amina Alaoui como uma voz marcante, Kheir Eddine M'Kachiche como um poderoso violinista e Jon Hassell como um exímio aglutinador de diversas tradições. Música mágica arrastando raízes profundas, na mesma linha de “Ragas and Sagas”, que o também norueguês Jan Garbarek produziu com o paquistanês Ustad Fateh Ali Khan, para a mesma editora, em 1992, "Siwan" é, indubitavelmente, um dos melhores discos de 2009.
Mais informações em: http://player.ecmrecords.com/siwan
(04) Ya Safwati (5:17)
(06) Itimad (6:43)
(10) Thulâthiyat (10:04)
(Separador)
“Uma canção do Sudão que incita ao optimismo, um tema tradicional da Somália sobre a solidão, um canto popular da Etiópia que mistura a tradição e a modernidade e uma história de um colectivo do Senegal/Tuva/Rússia sobre uma criança que chora a ausência da sua mãe. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Abdel Gadir Salim All-Stars (5) Bassama (4:45) “The Merdoum Kings play Songs of Love”
(2) Waaberi (2) Cidlaan… (até 3:46) “New Dawn”
(3) Abyssinia Infinite (4) Monew Natana (5:12) “Zion Roots”
(4) Vershki da Koreshki (2) Toumkoumani (6:59) “Vershki da Koreshki”
2ª Hora
“Uma cantiga de Santa Maria, de Afonso X, rei de Castela (Século XIII); um texto literário da Sicília do século XV, atribuído ao Imperador normando Federico II; uma dança Anglo-Normanda de autor anónimo; e um canto escolar proveniente da Finlândia medieval. São os sons que abrem as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Eduardo Paniagua (Espanha) (11) Macar é door (7:18) “Remédios Curativos”
(2) Al Qantarah (Itália) (8) Dolce lo mio drudo (6:40) “Abballati, abballati! Songs and sounds in Medieval Sicily”
(3) Ensemble Alcatraz (EUA) (9) El Tens D’Iver (2:21) “Danse Royale”
(4) Zefiro Torna (Bélgica) (15) Scholares Convenite (3:35) “De Fragilitate (Hymns from medieval Finland)”
(Separador)
Diplomada em musicologia pela Universidade de Paris, a francesa Catherine Joussellin começa por integrar o coro da Capela Real, estudar viola da gamba e trabalhar o canto. Actua sob a direcção dos consagrados Clemencic, Leonhardt, Eötvös, Minkowski e Van Nevel e participa em numerosos concertos e festivais. Funda posteriormente os ensembles Discantus e Alla Francesca e trabalha com a Boston Camerata, Gilles Binchois, Douce Mémoire, A Sei Voci e Huelgas Ensemble, com quem grava diversos discos.
Em 1989, Catherine funda o ensemble Amadis, actualmente constituído também por Olivier Marcaud (canto e percussões), Christophe Deslignes (organetto, flautas medievais), Jean-Lou Descamps (sanfona, saltério, tambura) e Xavier Terrasa (canto, chalemie, cornemusa, flautas medievais, symphonie). A partir do seu primeiro concerto na Fundação Boris Vian, o grupo Amadis começa a explorar a cultura medieval, através de linguagens privilegiadas como a literatura e a música.
As interpretações dos AMADIS são baseadas no estudo da notação original do texto e da música das variadas obras medievais (romances, poesias, contos, crónicas, jogos, fábulas, récitas, farsas, canções, reverdies, lais, baladas, rondeaux, virelais, motets...) e decorrem de um interesse particular em procurar as intenções profundas dos autores da época. Posteriormente o ensemble Amadis consagra-se também na criação contemporânea, mas é no seio de grupos como Gilles Binchois, la Chapelle Royale, Huelgas Ensemble, Millenarium, Boston Camerata, Hespérion XXI... que os músicos do ensemble Amadis se revêem.
Ao longo dos anos,Catherine Joussellin criou com o Ensemble Amadis uma adaptação cénica de Roman de Fauvel (um poema satírico do século XIV), a Lenda de Tristan et Yseut, a Lenda do Coeur mangé, o Elogio da Feminilidade (da Idade Média aos nossos dias) e o espectáculo Colette (a partir de músicas de Hahn, Satie e Ravel), entre outras. Editou, ainda, os registos “LE MANUSCRIT NIVELLE DE LA CHAUSSÉE” (ADDA, 1992), “SUR LES CHEMINS DE SAINT-JACQUES” - Cantos dos peregrinos a Santiago de Compostela, dos séculos XII a XV (JADE, 1998 -1999), “MUSIQUE AU TEMPS DE JEHANNE D’ARC” (JADE, 1999), “CANTOS DE LA VIDA” - Cantos dos judeus da Espanha Medieval (DBA, 2004) e “ANGES OU DÉMONS” - baseado nas obras de Jehan de Lescurel e Philippe de Vitry, compositores do século XIV (DBA, 2009).
Mais informações em: http://ensemble.amadis.free.fr/crbst_1.html
(02) A que por muy gran fremosura (1:55) “Sur Les Chemins de Saint-Jacques”
(04) Hija mia mi querida (2:50) “Cantos de la Vida”
(01) Nani, nani (4:51) “Cantos de la Vida”
(06) El Rey de Francia (4:27) “Sur Les Chemins de Saint-Jacques”
(03) Amours, trop vous dói cherir (4:08) “Anges ou démons”
(08) Bontés, sem, valours (4:50) “Anges ou démons”
(Separador)
“Com diversas canções dos judeus sefarditas encerramos o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Ensemble Antequera (Holanda) (2) Nani, nani (2:42) “Jews & Christians”
(2) Ruth Yaakov Ensemble (Israel/Albânia/Arménia/Turquia) (6) Salgash madre (4:12) “Shaatnez: Sefardic Songs of the Balkans”
(3) Lena Rothstein (Grécia) (9) Dia de Shabbat (3:40) “Cantos Judeo-Españoles”
(4) Emil Zrihan (Marrocos) (15) Kochav Tzedek (6:00) “Ashkelon”
2009/12/27
Samba Touré (Mali) / Zefiro Torna (Bélgica)
“Uma canção tradicional grega, proveniente das ilhas orientais do mar Egeu e do litoral da Ásia Menor; um texto sagrado hebraico; uma variação sobre um tema albanês; e uma interpretação de um tema popular russo; São as Heresias que abrem hoje as portas do Templo”.
(1) Theodora Baka (Grécia) (11) Sto pa kai sto xanaleo (4:03) “Myrtate: Traditional Songs from Greece”
(2) Ruth Wieder Magan (Austrália/Israel) (1) Roza DeShabbos (4:59) “Songs to the Invisible God”
(3) Nomad (França) (3) Alba (4:33) “Ciguri”
(4) Faraualla (Itália) (9) Spondo 2:39) “Faraualla”
(Separador)
Proveniente de Dabi, uma pequena aldeia no Norte do Mali, Samba Touré assume-se como o legítimo herdeiro de um dos melhores guitarristas de todos os tempos, o também maliano Ali Farka Touré (falecido em 2006). Com efeito, o "John Lee Hooker africano”, inventar do "blues do deserto", grande embaixador musical/cultural da África e vencedor de um Grammy ensinou a Samba, ao longo dos anos, tudo o que sabia sobre música. Deu-lhe, inclusivamente, a oportunidade de se juntar à sua banda na tournée que fez em 1997 e produziu o seu álbum de estreia, Fondo, em 2004. Foi, ainda, Ali Farka Touré que encorajou Samba a olhar para as suas raízes e a estabelecer a sua própria identidade, em vez de seguir as modas passageiras. Quando Samba Touré iniciou a sua carreira como elemento do grupo Farafina Lolo e passava o seu tempo a adaptar ritmos de dança do Congo, seguiu os conselhos e a ajuda de Ali Farka Touré e começou a aprimorar o som do blues africano e a criar o seu próprio estilo.
A música de Samba, baseada na tradicional do Mali, apresenta naturais semelhanças com as do seu mentor, mas revela-se mais cadenciada que a tuaregue dos seus irmãos malianos Tinariwen, Tartit e Toumast e tem um toque de leveza e consideravelmente mais velocidade do que a da maioria dos tocadores de blues do deserto. Por outro lado, a instrumentação que Samba utiliza, baseada nos sons do sokou (violino tradicional), do gnoni (guitarra de quatro cordas), do tamani, calabash e outras percussões, de flautas e do baixo eléctrico, permite-lhe mergulhar por sonoridades imaginativas e até inovadoras.
Em 2009, o cantor e guitarrista de 41anos reúne um grupo de talentosos músicos de apoio (que o acompanharam ao longo dos anos), mergulha na cultura tradicional Songhai e nas suas próprias experiências pessoais, entra em estúdio e grava Songhai Blues: Homage to Ali Farka Touré (World Music Network 2009/Megamúsica).
Constituído por treze faixas, entre temas retirados da sua primeira gravação apenas lançada no Mali, canções do registo de 2007, Aïto, e composições novas, Songhai Blues revela-se como um álbum empolgante para os fãs de blues do deserto e para os que gostam da música do Oeste Africano em geral. Como que um compêndio e uma autêntica viagem através da envolvente e rica tradição musical do Mali, Songhai Blues integra ritmos intensos, festivos e, muitas vezes, difíceis de seguir, tal como os de Ali Farka Touré ou John Lee Hooker. Assume-se, naturalmente, como um dos melhores discos de World music do ano.
Mais informações em: http://www.samba-toure.com/
(05) Yawoye (4:33)
(02) Foda Diakaina (4:34)
(04) Bila (5:06)
(10) Goye(5:33)
(Separador)
“Uma demonstração das potencialidades do tambur do Uzbequistão; um tema da música clássica iraniana; e um canto feminino dos haréns dos palácios dos sultões otomanos. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Hector Zazou & Swara (Argélia/Uzbequistão/Índia) (1) Zannat (4:49) “In the House of Mirrors”
(2) Khatereh Parvaneh (Irão) (I-3) Dastgah of Shour (10:35) “Echos du Paradis: Sufi Soul”
(3) Ensemble des femmes d’Istanbul (Turquia) (8) Ud Taksin (6:41) “Chants du Harem”
2ª Hora
“Um poema épico sobre a visão de uma profetiza que narra a criação do mundo, a chegada dos deuses, a morte do filho de Odin e a destruição do mundo de Ragnarok; uma história sobre uma filha que esconde, ao seu pai discordante, uma criança fruto de uma relação ilícita; e uma balada sobre uma criatura chamada “Lindormen” que se transforma em príncipe e, através do amor, adquire a forma humana. A música medieval da Islândia, Noruega e Suécia abre as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Sequentia (Alemanha) (3) Ti Prophecy of the Seeress (10:10) “Myths from Medieval Iceland”
(2) Agnes Buen Garnas/Jan Garbarek (Noruega) (4) Maalfri mi fruve (5:12) “Rosensfole: Medieval Songs from Norway”
(3) Wisby Vaganter (Suécia) (13) Lindormens Wisa (5:10) “Gotlandz Wiisa: Medeltida musik”
(Separador)
Zefiro Torna é um ensemble oriundo da Flandres (Bélgica), cujo nome expressa, de forma alegórica, como o deus mitológico do vento do Oeste, Zephyrus, conseguia sempre expulsar os Invernos frios.
Formado em 1996, o grupo Zefiro Torna é constituído por Els Van Laethem e Cécile Kempenaers (voz), Liam Fennelly (viola da gamba, vihuela) e Jurgen De bruyn (alaúde, guitarra e direcção artística), músicos que se distinguiram em grupos como Huelgas Ensemble, Collegium Vocale, La Capilla Flamenca e Het Muziek Lod. Consoante o programa, assim o ensemble se complementa com diferentes vocalistas e instrumentistas da Bélgica, Holanda, França e Itália.
Baseando-se no respeito profundo pelo passado e apoiando-se em apurados estudos musicológicos, os Zefiro Torna fazem renascer, de forma única, o património cultural, sobretudo o medieval, renascentista e barroco. Não admira, por isso, que o grupo opte por utilizar instrumentos autênticos e técnicas históricas de canto, interpretação e improvisação, embora acrescentem, naturalmente, os seus próprios elementos criativos.
Os Zefiro Torna editaram, até à data, seis registos: "Mermaphilia" (2002, Eufoda), cujos textos históricos evocam o mundo imaginário da Sirena; "El Noi de la Mare" (2004, Et’Cetera), galardoado, em 2005, com o prémio "Klara Muziekprijs" para o Melhor Disco da Flandres, Melhor Produção de Música Clássica e "Prémio do Público"; "Les Tisserands" (2006 Homerecords), em que textos medievais e melodias de trovadores como Macabrun e Miraval coabitam com melodias contemporâneas de Jowan Merckx; “De Fragilitate: Piae Cantiones” (2007 Et’Cetera), uma colecção de cantos escolares e cânticos religiosos provenientes da Finlândia medieval, premiado com o prestigiado Diapason d’Or; “Greghesche” (2008 Et’Cetera), um tesouro musical da Renascença veneziana; e “Assim” (2009 Homerecords), uma co-produção em que Dick van der Harst escreveu uma composição baseada nos trabalhos de Jacob Obrecht e na tradição dos gamelões de Java.
O disco que aqui se destaca é o brilhante “De Fragilitate (Hymns from medieval Finland)”, baseado na compilação “Piae Cantiones ecclesiasticae et scholasticae veterum episcoporum”, com 74 canções em latim da Idade Média tardia, reunidas por Jacobus Finno e publicada em 1582 pelo aristocrata finlandês Theodoricus Petri Nylandensi.
Muitas das canções e melodias de “Piae Cantiones” são originárias da Europa Central mas algumas parecem ter sido escritas em países nórdicos. Existe uma controvérsia sobre se a obra total deva ser atribuída à Suécia ou à Finlândia, uma vez que, na altura da publicação, a Finlândia era parte integrante da Suécia.
Apesar de ter sido publicada em 1582, a melodia de Piae Cantiones é medieval por natureza. A tradução finlandesa de Piae Cantiones por Hemming of Masku é considerada a primeira obra de hinos da Finlândia, ainda que Piae Cantiones seja mais um produto da cultura católica medieval que um produto de uma só nação.
As letras das composições incluídas na colecção Piae Cantiones, executadas na época em diversas escolas catedrais finlandesas, testemunham de forma moderada a Reforma Protestante no Norte da Europa. Apesar de algumas nuances católicas terem sido retiradas, muitas canções ainda carregam traços fortes do culto a Maria, Mãe de Jesus, e actualmente são ainda utilizadas como canções de Natal, nomeadamente Personent hodie e Tempus adest floridum.
As canções de Piae Cantiones continuaram a ser populares nas escolas finlandesas até ao século XIX mas, gradualmente, foram caindo em desuso. No entanto, um novo interesse pela música antiga tornou a colecção muito popular na Escandinávia e surge agora como repertório padrão de vários coros finlandeses e suecos.
Zefiro Torna interpreta as Piae Cantiones com réplicas de instrumentos do século XV e é acompanhado por Jowan Merckx (gaita de foles e guizos), Frank Van Eycken (percussão), pelo finlandês Timo Väänänen (do grupo folk Loituma, que toca kantele nórdico) e por um grupo de vozes do Antwerp Cathedral Choir, sob a direcção de Sebastiaan Van Steenberge.
Mais informações em: http://www.zefirotorna.be/
(06) Personent Hodie (1:30)
(21) Tempus Adest Floridum (1:42)
(15) Scholares Convenite (3:35)
(18) Sum In Aliena Provincia (2:25)
(16) Zachaeus Arboris (1:35)
(14) Cum Sit Omnis Caro Foenum (3:02)
(12) Kurja, Paha Syntinen (4:44)
(20) In Vernali Tempore (2:43)
(Separador)
“Com poemas de Rodolphe de Fénis-Neuchâtel, Blanche de Castille e Walther von der Vogelweide, trovadores europeus medievais, encerramos o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Ensemble Lucidarium (Suíça) (6) Gewan ichze minnen ie guoten wan (6:36) “Troubadours & Minnesänger”
(2) Ensemble Perceval (França) (14) Amour ou troptard (5:27) “Minnesänger Troubadours Trouvères”
(3) Dekameron (Polónia) (13) Under der linden (4:53) “A Tale of Medieval Love”
(4) Ensemble für frühe Musik Augsburg (Alemanha) (8) Under der linden an der heide (3:13) “Trobadors Trouvères Minnesänger”
(1) Theodora Baka (Grécia) (11) Sto pa kai sto xanaleo (4:03) “Myrtate: Traditional Songs from Greece”
(2) Ruth Wieder Magan (Austrália/Israel) (1) Roza DeShabbos (4:59) “Songs to the Invisible God”
(3) Nomad (França) (3) Alba (4:33) “Ciguri”
(4) Faraualla (Itália) (9) Spondo 2:39) “Faraualla”
(Separador)
Proveniente de Dabi, uma pequena aldeia no Norte do Mali, Samba Touré assume-se como o legítimo herdeiro de um dos melhores guitarristas de todos os tempos, o também maliano Ali Farka Touré (falecido em 2006). Com efeito, o "John Lee Hooker africano”, inventar do "blues do deserto", grande embaixador musical/cultural da África e vencedor de um Grammy ensinou a Samba, ao longo dos anos, tudo o que sabia sobre música. Deu-lhe, inclusivamente, a oportunidade de se juntar à sua banda na tournée que fez em 1997 e produziu o seu álbum de estreia, Fondo, em 2004. Foi, ainda, Ali Farka Touré que encorajou Samba a olhar para as suas raízes e a estabelecer a sua própria identidade, em vez de seguir as modas passageiras. Quando Samba Touré iniciou a sua carreira como elemento do grupo Farafina Lolo e passava o seu tempo a adaptar ritmos de dança do Congo, seguiu os conselhos e a ajuda de Ali Farka Touré e começou a aprimorar o som do blues africano e a criar o seu próprio estilo.
A música de Samba, baseada na tradicional do Mali, apresenta naturais semelhanças com as do seu mentor, mas revela-se mais cadenciada que a tuaregue dos seus irmãos malianos Tinariwen, Tartit e Toumast e tem um toque de leveza e consideravelmente mais velocidade do que a da maioria dos tocadores de blues do deserto. Por outro lado, a instrumentação que Samba utiliza, baseada nos sons do sokou (violino tradicional), do gnoni (guitarra de quatro cordas), do tamani, calabash e outras percussões, de flautas e do baixo eléctrico, permite-lhe mergulhar por sonoridades imaginativas e até inovadoras.
Em 2009, o cantor e guitarrista de 41anos reúne um grupo de talentosos músicos de apoio (que o acompanharam ao longo dos anos), mergulha na cultura tradicional Songhai e nas suas próprias experiências pessoais, entra em estúdio e grava Songhai Blues: Homage to Ali Farka Touré (World Music Network 2009/Megamúsica).
Constituído por treze faixas, entre temas retirados da sua primeira gravação apenas lançada no Mali, canções do registo de 2007, Aïto, e composições novas, Songhai Blues revela-se como um álbum empolgante para os fãs de blues do deserto e para os que gostam da música do Oeste Africano em geral. Como que um compêndio e uma autêntica viagem através da envolvente e rica tradição musical do Mali, Songhai Blues integra ritmos intensos, festivos e, muitas vezes, difíceis de seguir, tal como os de Ali Farka Touré ou John Lee Hooker. Assume-se, naturalmente, como um dos melhores discos de World music do ano.
Mais informações em: http://www.samba-toure.com/
(05) Yawoye (4:33)
(02) Foda Diakaina (4:34)
(04) Bila (5:06)
(10) Goye(5:33)
(Separador)
“Uma demonstração das potencialidades do tambur do Uzbequistão; um tema da música clássica iraniana; e um canto feminino dos haréns dos palácios dos sultões otomanos. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Hector Zazou & Swara (Argélia/Uzbequistão/Índia) (1) Zannat (4:49) “In the House of Mirrors”
(2) Khatereh Parvaneh (Irão) (I-3) Dastgah of Shour (10:35) “Echos du Paradis: Sufi Soul”
(3) Ensemble des femmes d’Istanbul (Turquia) (8) Ud Taksin (6:41) “Chants du Harem”
2ª Hora
“Um poema épico sobre a visão de uma profetiza que narra a criação do mundo, a chegada dos deuses, a morte do filho de Odin e a destruição do mundo de Ragnarok; uma história sobre uma filha que esconde, ao seu pai discordante, uma criança fruto de uma relação ilícita; e uma balada sobre uma criatura chamada “Lindormen” que se transforma em príncipe e, através do amor, adquire a forma humana. A música medieval da Islândia, Noruega e Suécia abre as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Sequentia (Alemanha) (3) Ti Prophecy of the Seeress (10:10) “Myths from Medieval Iceland”
(2) Agnes Buen Garnas/Jan Garbarek (Noruega) (4) Maalfri mi fruve (5:12) “Rosensfole: Medieval Songs from Norway”
(3) Wisby Vaganter (Suécia) (13) Lindormens Wisa (5:10) “Gotlandz Wiisa: Medeltida musik”
(Separador)
Zefiro Torna é um ensemble oriundo da Flandres (Bélgica), cujo nome expressa, de forma alegórica, como o deus mitológico do vento do Oeste, Zephyrus, conseguia sempre expulsar os Invernos frios.
Formado em 1996, o grupo Zefiro Torna é constituído por Els Van Laethem e Cécile Kempenaers (voz), Liam Fennelly (viola da gamba, vihuela) e Jurgen De bruyn (alaúde, guitarra e direcção artística), músicos que se distinguiram em grupos como Huelgas Ensemble, Collegium Vocale, La Capilla Flamenca e Het Muziek Lod. Consoante o programa, assim o ensemble se complementa com diferentes vocalistas e instrumentistas da Bélgica, Holanda, França e Itália.
Baseando-se no respeito profundo pelo passado e apoiando-se em apurados estudos musicológicos, os Zefiro Torna fazem renascer, de forma única, o património cultural, sobretudo o medieval, renascentista e barroco. Não admira, por isso, que o grupo opte por utilizar instrumentos autênticos e técnicas históricas de canto, interpretação e improvisação, embora acrescentem, naturalmente, os seus próprios elementos criativos.
Os Zefiro Torna editaram, até à data, seis registos: "Mermaphilia" (2002, Eufoda), cujos textos históricos evocam o mundo imaginário da Sirena; "El Noi de la Mare" (2004, Et’Cetera), galardoado, em 2005, com o prémio "Klara Muziekprijs" para o Melhor Disco da Flandres, Melhor Produção de Música Clássica e "Prémio do Público"; "Les Tisserands" (2006 Homerecords), em que textos medievais e melodias de trovadores como Macabrun e Miraval coabitam com melodias contemporâneas de Jowan Merckx; “De Fragilitate: Piae Cantiones” (2007 Et’Cetera), uma colecção de cantos escolares e cânticos religiosos provenientes da Finlândia medieval, premiado com o prestigiado Diapason d’Or; “Greghesche” (2008 Et’Cetera), um tesouro musical da Renascença veneziana; e “Assim” (2009 Homerecords), uma co-produção em que Dick van der Harst escreveu uma composição baseada nos trabalhos de Jacob Obrecht e na tradição dos gamelões de Java.
O disco que aqui se destaca é o brilhante “De Fragilitate (Hymns from medieval Finland)”, baseado na compilação “Piae Cantiones ecclesiasticae et scholasticae veterum episcoporum”, com 74 canções em latim da Idade Média tardia, reunidas por Jacobus Finno e publicada em 1582 pelo aristocrata finlandês Theodoricus Petri Nylandensi.
Muitas das canções e melodias de “Piae Cantiones” são originárias da Europa Central mas algumas parecem ter sido escritas em países nórdicos. Existe uma controvérsia sobre se a obra total deva ser atribuída à Suécia ou à Finlândia, uma vez que, na altura da publicação, a Finlândia era parte integrante da Suécia.
Apesar de ter sido publicada em 1582, a melodia de Piae Cantiones é medieval por natureza. A tradução finlandesa de Piae Cantiones por Hemming of Masku é considerada a primeira obra de hinos da Finlândia, ainda que Piae Cantiones seja mais um produto da cultura católica medieval que um produto de uma só nação.
As letras das composições incluídas na colecção Piae Cantiones, executadas na época em diversas escolas catedrais finlandesas, testemunham de forma moderada a Reforma Protestante no Norte da Europa. Apesar de algumas nuances católicas terem sido retiradas, muitas canções ainda carregam traços fortes do culto a Maria, Mãe de Jesus, e actualmente são ainda utilizadas como canções de Natal, nomeadamente Personent hodie e Tempus adest floridum.
As canções de Piae Cantiones continuaram a ser populares nas escolas finlandesas até ao século XIX mas, gradualmente, foram caindo em desuso. No entanto, um novo interesse pela música antiga tornou a colecção muito popular na Escandinávia e surge agora como repertório padrão de vários coros finlandeses e suecos.
Zefiro Torna interpreta as Piae Cantiones com réplicas de instrumentos do século XV e é acompanhado por Jowan Merckx (gaita de foles e guizos), Frank Van Eycken (percussão), pelo finlandês Timo Väänänen (do grupo folk Loituma, que toca kantele nórdico) e por um grupo de vozes do Antwerp Cathedral Choir, sob a direcção de Sebastiaan Van Steenberge.
Mais informações em: http://www.zefirotorna.be/
(06) Personent Hodie (1:30)
(21) Tempus Adest Floridum (1:42)
(15) Scholares Convenite (3:35)
(18) Sum In Aliena Provincia (2:25)
(16) Zachaeus Arboris (1:35)
(14) Cum Sit Omnis Caro Foenum (3:02)
(12) Kurja, Paha Syntinen (4:44)
(20) In Vernali Tempore (2:43)
(Separador)
“Com poemas de Rodolphe de Fénis-Neuchâtel, Blanche de Castille e Walther von der Vogelweide, trovadores europeus medievais, encerramos o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Ensemble Lucidarium (Suíça) (6) Gewan ichze minnen ie guoten wan (6:36) “Troubadours & Minnesänger”
(2) Ensemble Perceval (França) (14) Amour ou troptard (5:27) “Minnesänger Troubadours Trouvères”
(3) Dekameron (Polónia) (13) Under der linden (4:53) “A Tale of Medieval Love”
(4) Ensemble für frühe Musik Augsburg (Alemanha) (8) Under der linden an der heide (3:13) “Trobadors Trouvères Minnesänger”
2009/11/30
Bassekou Kouyate & Ngoni ba (Mali) / Música Antiga da UFF (Brasil)
“Uma composição baseada nas tradições dos Fula do sul do Senegal; um tema que remonta às origens da highlife do Gana, interpretado na seprewa, instrumento de cordas semelhante à kora; e um convite da Guiné Conákry para visitarmos Kindia, a terra da fruta e da abundância São as Heresias que abrem hoje as portas do Templo”.
(1) Daby Balde (2) Lalé Kouma (4:54) “Le Marigot Club Dakar”
(2) Seprewa Kasa (7) Agyese Wobre (8:40) “Seprewa Kasa”
(3) Les Amazones de Guinée (7) Kania (4:57) “Wamato”
(Separador)
“Eu ouvi o futuro: chama-se Bassekou Kouyate...”. Esta afirmação de Mingus Formentor (La Vanguardia - Espanha) traduz a importância do músico maliano que a BBC Radio 3 considerou como o melhor artista africano de 2008.
Natural de uma pequena aldeia situada a 40 quilómetros da cidade de Segu, nas margens do Níger, Bassekou Kouyate cresceu no ambiente da música tradicional: a sua mãe era cantora e o seu pai e irmãos excepcionais músicos de ngoni (um antigo alaúde tradicional oriundo da África Ocidental). A partir dos 19 anos, passou a viver em Bamako e, no final dos anos oitenta, fez parte do “Symmetric Trio”, ao lado de Toumani Diabaté (kora) e Keletigui Diabaté (balafon). Colaborou, posteriormente, com diversos músicos da sua terra natal e importantes nomes da cena internacional, tendo sido, por exemplo, um dos principais músicos do álbum póstumo de Ali Farka Toure, “Savane”.
Ao formar Ngoni ba, um quarteto de “ngoni”, Bassekou Kouyate introduziu variadas inovações na tradicional forma de tocar o instrumento, acrescentando um ngoni-baixo e adicionando cordas extra para o tornar mais harmonicamente flexível. Conseguiu, assim, produzir um som acústico arrebatador, como que ancestral dos “blues” e os resultados são surpreendentes.
Em 2007 edita o seu primeiro álbum a solo, o sensacional “Segu Blue”, gravado em Bamako por Yves Wernert e misturado em Londres por Jerry Boys, que conquistou o Prémio BBC para "Melhor Álbum World do Ano" e "Melhor Espectáculo Africano", em 2008.
“I Speak Fula” (out/here, 2009), o segundo álbum de Bassekou Kouyate com a banda Ngoni ba, é um passo em frente na carreira do mestre maliano do ngoni. Uma vez mais, os excitantes solos dos ngoni vão desfilando sobre as percussões, as hipnóticas texturas vão-se entrelaçando e formando belíssimas melodias e as vozes, sobretudo a de Amy Sacko (a esposa de Kouyate), ao mesmo tempo, suaves e poderosas, vão aveludando e enriquecendo as composições. Contando com as preciosas colaborações dos consagrados Toumani Diabate, Kasse Mady Diabate e Vieux Farka Toure, “I Speak Fula” arrisca-se, indubitavelmente, a frequentar os lugares cimeiros das listas dos melhores álbuns do ano.
Mais informações em: http://www.myspace.com/bassekoukouyate
(02) Jamana Be Diya (4:56)
(06) Amy (4:29)
(08) Ladon (5:27)
(10) Falani (5:42)
(Separador)
“Uma canção de embalar do Zimbabwe; uma melodia que mistura instrumentos orientais (como os steel drums, instrumentos de percussão do Oeste da Índia) e africanos (como o sinding, harpa de cinco cordas do oeste do continente) com sonoridades tipicamente europeias; e um tema dos Seri de Sonora (México), habitualmente entoado nas cerimónias de nascimento. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Stella Rambisai Chiwesche (14) Chitsidzo (3:03) “African Lullaby”
(2) Stephan Micus (Alemanha) (4) Mikhail’s Dream (8:20) “Desert Poems”
(3) Yaki Kandru(Colômbia) (3) Canto de los Seri… (2:34-7:24) “Music from the Tropical Rainforest & other magic places”
2ª Hora
“Um poema dramático de atmosfera onírica de Federico García Lorca (Espanha); uma canção de embalar da tradição sefardita de cerca de 1500, proveniente de Marrocos; e um romance documentado pela primeira vez em 1702, inspirado num tradicional da Grécia. O maravilhoso universo vocal feminino abre as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Arianna Savall (Suíça) (6) Canción de la muerte pequeña (8:42) “Peiwoh”
(2) Montserrat Figueras (Espanha) (4) Nani, nani (6:00) “Ninna Nanna”
(3) Savina Yannatou & Primavera en Salonico (Grécia) (2) El sueño de la hija del rey (4:50) “Canciones populares sefardíes”
(Separador)

O ensemble brasileiro Música Antiga da UFF surgiu em 1981 com o objectivo de investigar e de transmitir a música, a cultura e a visão do mundo da Idade Média e do Renascimento. Para fazer face às naturais dificuldades de conhecimento de um repertório com tão escassas fontes e tão distante no tempo (sobretudo para músicos de um país que existe como tal, apenas a partir de 1822), os membros do grupo trabalharam na pesquisa bibliográfica e discográfica disponíveis na actualidade. Por outro lado, muniram-se de réplicas dos instrumentos utilizados naqueles períodos, de modo a que a sua produção se aproximasse, o mais possível, do ideal sonoro da época.
Ao longo de quase três décadas de existência, os integrantes do grupo Música Antiga da UFF estudaram nos EUA e na Europa, adquiriram novos instrumentos, partituras e conhecimentos e especializaram-se na linguagem da música medieval e renascentista. Desde então, deram mais de 500 concertos por todo o Brasil, participaram em programas de rádio e televisão, criaram bandas sonoras e videoclips, organizaram cursos, festivais e feiras renascentistas e editaram seis discos extraordinários: "Lope de Vega - Poesias Cantadas" (1995), com poemas cantados de Lope de Veja (nascido em Madrid, em 1562), de finais do século XVI e inícios do XVII; "Cânticos de Amor e Louvor" (1997), com cantigas de amigo do supremo trovador de Vigo, Martin Codax, e com cantigas de louvor a Santa Maria de Afonso X, o Sábio, rei de Castela (1252-1284); "Música no Tempo das Caravelas", que se incluiu nas comemorações dos 500 anos da conquista da América, uma vez que as músicas seleccionadas são exemplos das que animavam os serões palacianos em Portugal e Espanha, ao tempo das descobertas ultramarinas; “O Canto da Sibila” (2001), gravado ao vivo, que apresenta peças do cancioneiro de Upsalla, algumas cantigas de Santa Maria, peças de Michael Praetorius e o Canto da Sibila; "A Chantar - Trovadoras Medievais”, o resultado do interesse do ensemble Música Antiga da UFF em conhecer e mostrar um pouco do passado literário-musical feminino, na França medieval, através das obras da Condessa Beatriz de Dia, Maroie de Dregnau de Lille, Dame du Fayel e Blanche de Castille, incluindo também danças instrumentais francesas e italianas, de autores anónimos; e “Medievo-Nordeste” (2004), um original trabalho de interacção entre a música medieval ibérica e músicas do folclore brasileiro, principalmente do Nordeste.
Mais informações em:
http://musicaantigadauff.zip.net/
http://www.uff.br/centroarte/musicaantiga.htm
http://www.niteroiartes.com.br/exibe_artistas.php?idartista=376&opc=1
(05) Ondas do mar de Vigo (3:26) "Cânticos de Amor e Louvor"
(02) A chantar m’er de so q’ieu no volria (6:19) "A Chantar”
(12) Santa Maria strela do dia (2:32) "Cânticos de Amor e Louvor"
(04) Amours, u trop tart me sui pris (2:27) "A Chantar”
(03) Mandad’ei comigo (4:39) “Medievo-Nordeste”
(13) Non sofre Santa Maria (4:34) “Medievo-Nordeste”
(Separador)
“Uma Cantiga de Santa Maria de Afonso X de Castela, do século XIII; um poema do mesmo século do trovador Gautier d’Épinal de Lorraine (França); e uma belíssima simbiose das várias sensibilidades presentes na Andalusia medieval. São os sons que encerram o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Antequera / Johannette Zomer (Holanda/…) (5) Virgen Madre groriosa (6:11) “Cantigas de Santa Maria: Eno nome de Maria”
(2) Ensemble Syntagma (Rússia/…) (10) Toz esforciez (6:34) “Touz Esforciez: Trouvères en Lorraine”
(3) Orchestra Arabo-Andalusa di Tangeri (Marrocos/…) (I-3) Secondo Quadro (7,08) “Incontro a Tangeri”
(1) Daby Balde (2) Lalé Kouma (4:54) “Le Marigot Club Dakar”
(2) Seprewa Kasa (7) Agyese Wobre (8:40) “Seprewa Kasa”
(3) Les Amazones de Guinée (7) Kania (4:57) “Wamato”
(Separador)
“Eu ouvi o futuro: chama-se Bassekou Kouyate...”. Esta afirmação de Mingus Formentor (La Vanguardia - Espanha) traduz a importância do músico maliano que a BBC Radio 3 considerou como o melhor artista africano de 2008.
Natural de uma pequena aldeia situada a 40 quilómetros da cidade de Segu, nas margens do Níger, Bassekou Kouyate cresceu no ambiente da música tradicional: a sua mãe era cantora e o seu pai e irmãos excepcionais músicos de ngoni (um antigo alaúde tradicional oriundo da África Ocidental). A partir dos 19 anos, passou a viver em Bamako e, no final dos anos oitenta, fez parte do “Symmetric Trio”, ao lado de Toumani Diabaté (kora) e Keletigui Diabaté (balafon). Colaborou, posteriormente, com diversos músicos da sua terra natal e importantes nomes da cena internacional, tendo sido, por exemplo, um dos principais músicos do álbum póstumo de Ali Farka Toure, “Savane”.
Ao formar Ngoni ba, um quarteto de “ngoni”, Bassekou Kouyate introduziu variadas inovações na tradicional forma de tocar o instrumento, acrescentando um ngoni-baixo e adicionando cordas extra para o tornar mais harmonicamente flexível. Conseguiu, assim, produzir um som acústico arrebatador, como que ancestral dos “blues” e os resultados são surpreendentes.
Em 2007 edita o seu primeiro álbum a solo, o sensacional “Segu Blue”, gravado em Bamako por Yves Wernert e misturado em Londres por Jerry Boys, que conquistou o Prémio BBC para "Melhor Álbum World do Ano" e "Melhor Espectáculo Africano", em 2008.
“I Speak Fula” (out/here, 2009), o segundo álbum de Bassekou Kouyate com a banda Ngoni ba, é um passo em frente na carreira do mestre maliano do ngoni. Uma vez mais, os excitantes solos dos ngoni vão desfilando sobre as percussões, as hipnóticas texturas vão-se entrelaçando e formando belíssimas melodias e as vozes, sobretudo a de Amy Sacko (a esposa de Kouyate), ao mesmo tempo, suaves e poderosas, vão aveludando e enriquecendo as composições. Contando com as preciosas colaborações dos consagrados Toumani Diabate, Kasse Mady Diabate e Vieux Farka Toure, “I Speak Fula” arrisca-se, indubitavelmente, a frequentar os lugares cimeiros das listas dos melhores álbuns do ano.
Mais informações em: http://www.myspace.com/bassekoukouyate
(02) Jamana Be Diya (4:56)
(06) Amy (4:29)
(08) Ladon (5:27)
(10) Falani (5:42)
(Separador)
“Uma canção de embalar do Zimbabwe; uma melodia que mistura instrumentos orientais (como os steel drums, instrumentos de percussão do Oeste da Índia) e africanos (como o sinding, harpa de cinco cordas do oeste do continente) com sonoridades tipicamente europeias; e um tema dos Seri de Sonora (México), habitualmente entoado nas cerimónias de nascimento. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Stella Rambisai Chiwesche (14) Chitsidzo (3:03) “African Lullaby”
(2) Stephan Micus (Alemanha) (4) Mikhail’s Dream (8:20) “Desert Poems”
(3) Yaki Kandru(Colômbia) (3) Canto de los Seri… (2:34-7:24) “Music from the Tropical Rainforest & other magic places”
2ª Hora
“Um poema dramático de atmosfera onírica de Federico García Lorca (Espanha); uma canção de embalar da tradição sefardita de cerca de 1500, proveniente de Marrocos; e um romance documentado pela primeira vez em 1702, inspirado num tradicional da Grécia. O maravilhoso universo vocal feminino abre as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Arianna Savall (Suíça) (6) Canción de la muerte pequeña (8:42) “Peiwoh”
(2) Montserrat Figueras (Espanha) (4) Nani, nani (6:00) “Ninna Nanna”
(3) Savina Yannatou & Primavera en Salonico (Grécia) (2) El sueño de la hija del rey (4:50) “Canciones populares sefardíes”
(Separador)

O ensemble brasileiro Música Antiga da UFF surgiu em 1981 com o objectivo de investigar e de transmitir a música, a cultura e a visão do mundo da Idade Média e do Renascimento. Para fazer face às naturais dificuldades de conhecimento de um repertório com tão escassas fontes e tão distante no tempo (sobretudo para músicos de um país que existe como tal, apenas a partir de 1822), os membros do grupo trabalharam na pesquisa bibliográfica e discográfica disponíveis na actualidade. Por outro lado, muniram-se de réplicas dos instrumentos utilizados naqueles períodos, de modo a que a sua produção se aproximasse, o mais possível, do ideal sonoro da época.
Ao longo de quase três décadas de existência, os integrantes do grupo Música Antiga da UFF estudaram nos EUA e na Europa, adquiriram novos instrumentos, partituras e conhecimentos e especializaram-se na linguagem da música medieval e renascentista. Desde então, deram mais de 500 concertos por todo o Brasil, participaram em programas de rádio e televisão, criaram bandas sonoras e videoclips, organizaram cursos, festivais e feiras renascentistas e editaram seis discos extraordinários: "Lope de Vega - Poesias Cantadas" (1995), com poemas cantados de Lope de Veja (nascido em Madrid, em 1562), de finais do século XVI e inícios do XVII; "Cânticos de Amor e Louvor" (1997), com cantigas de amigo do supremo trovador de Vigo, Martin Codax, e com cantigas de louvor a Santa Maria de Afonso X, o Sábio, rei de Castela (1252-1284); "Música no Tempo das Caravelas", que se incluiu nas comemorações dos 500 anos da conquista da América, uma vez que as músicas seleccionadas são exemplos das que animavam os serões palacianos em Portugal e Espanha, ao tempo das descobertas ultramarinas; “O Canto da Sibila” (2001), gravado ao vivo, que apresenta peças do cancioneiro de Upsalla, algumas cantigas de Santa Maria, peças de Michael Praetorius e o Canto da Sibila; "A Chantar - Trovadoras Medievais”, o resultado do interesse do ensemble Música Antiga da UFF em conhecer e mostrar um pouco do passado literário-musical feminino, na França medieval, através das obras da Condessa Beatriz de Dia, Maroie de Dregnau de Lille, Dame du Fayel e Blanche de Castille, incluindo também danças instrumentais francesas e italianas, de autores anónimos; e “Medievo-Nordeste” (2004), um original trabalho de interacção entre a música medieval ibérica e músicas do folclore brasileiro, principalmente do Nordeste.
Mais informações em:
http://musicaantigadauff.zip.net/
http://www.uff.br/centroarte/musicaantiga.htm
http://www.niteroiartes.com.br/exibe_artistas.php?idartista=376&opc=1
(05) Ondas do mar de Vigo (3:26) "Cânticos de Amor e Louvor"
(02) A chantar m’er de so q’ieu no volria (6:19) "A Chantar”
(12) Santa Maria strela do dia (2:32) "Cânticos de Amor e Louvor"
(04) Amours, u trop tart me sui pris (2:27) "A Chantar”
(03) Mandad’ei comigo (4:39) “Medievo-Nordeste”
(13) Non sofre Santa Maria (4:34) “Medievo-Nordeste”
(Separador)
“Uma Cantiga de Santa Maria de Afonso X de Castela, do século XIII; um poema do mesmo século do trovador Gautier d’Épinal de Lorraine (França); e uma belíssima simbiose das várias sensibilidades presentes na Andalusia medieval. São os sons que encerram o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Antequera / Johannette Zomer (Holanda/…) (5) Virgen Madre groriosa (6:11) “Cantigas de Santa Maria: Eno nome de Maria”
(2) Ensemble Syntagma (Rússia/…) (10) Toz esforciez (6:34) “Touz Esforciez: Trouvères en Lorraine”
(3) Orchestra Arabo-Andalusa di Tangeri (Marrocos/…) (I-3) Secondo Quadro (7,08) “Incontro a Tangeri”
2009/10/11
Lhasa (México) / Paulina Ceremuzynska & Meendinho (Polónia/Espanha)
“Da Polónia surge um lamento de um jovem moribundo ferido na guerra, da Jugoslávia um encontro feliz entre a tradição e a modernidade, da Hungria uma canção sagrada, da Bulgária uma balada habitualmente entoada na altura das colheitas e da Rússia um canto normalmente interpretado nos casamentos. São as Heresias que abrem hoje as portas do Templo”.
(1) Warsaw Village Band (13) Lament (2:30) “Uprooting”
(2) Boris Kovac (2) Noon at Ural (3:58) “Ritual Nova II”
(3) Irén Lovász (5) Márton Szép Ilona (2:05) “Rosebuds In a Stoneyard”
(4) Stefka Sabotinova (11) Mir Stankele (0:18-3:07) “Le Mystère des Voix Bulgares”
(5) Dmitri Pokrovsky Ensemble (5) Pine Tree (2:44) “The Wild Field”
(Separador)
Filha de um escritor mexicano e de uma fotógrafa e antiga actriz americana, Lhasa de Sela passou grande parte da sua adolescência a viajar numa carrinha com os seus pais e com duas irmãs, pela costa norte-americana e fronteira com o México, onde passa a residir. Aos 25 anos muda-se para o Canadá, onde conheceu o guitarrista Yves Desrosiers, com o qual escreveu os temas que iriam compor o seu primeiro registo de originais, “La Llorona”, pleno de sentimento e sensualidade, em que Lhasa canta em espanhol sobre paisagens sem nome, assombradas pelos blues, pela música cigana, pelos ritmos sul-americanos e pelo cabaret.
Seis anos mais tarde, a cantautora apátrida edita “The Living Road”, optando por diversificar o som e os instrumentos utilizados, cantar em espanhol, inglês e francês e afastar-se das sonoridades do primeiro registo, numa possível alusão à sua adolescência de constante itinerância. Se no primeiro álbum, Lhasa contou com a co-autoria de Yves Desrosiers, no segundo registo as participações estenderam-se a Vincent Segal, Didier Dumoutier e Jérôme Lapierre.
Em 2009, Lhasa de Sela regressa com um registo simplesmente intitulado “Lhasa”, em que a sua voz comovente e bela percorre doze temas cheios de intensidade dramática, vislumbrando um México distante e etéreo construído por sentimentos de amor, desespero e melancolia profunda.
A voz de Lhasa, aqui suficientemente destacada (aquando da edição dos seus dois primeiros registos, bem como das suas duas tournées em Portugal com passagem por Lisboa, Famalicão, Coimbra, Aveiro, Porto), continua a evidenciar uma grande sensibilidade, beleza e maturidade, pelo que não podíamos deixar de a divulgar de novo, ainda que o seu novo registo se revele manifestamente inferior aos anteriores.
(02) Rising (3:49)
(01) Is Anything Wrong (3:55)
(06) Fool’s Gold (3:01)
(03) Love Came Here (3:51)
(09) The Lonely Spider (3:18)
(Separador)
“Um tema de Rembetiko, a música característica da Grécia, e duas versões de uma balada otomana, uma proveniente de Israel e outra da Turquia. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Martha Frintzila (II-2) Thalassa Lipisou (5:22) “The Diaspora of Rembetiko”
(2) Sara Alexander (2) Madré (6,18) “Café Turc”
(3) Istanbul Oriental Ensemble (2) Nihavent Oriental (6,49) “Sultan’s Secret Door”
2ª Hora
“Uma chanson de toile de um trovador anónimo, uma Cantiga de Santa Maria de Afonso X de Castela e uma Canção de Trobairitz da trovadora Condessa Beatritz de Dia. O universo musical dos séculos XII e XIII abre as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Duo Trobairitz (Inglaterra) (10) Bele Doette (9:04) “The Language of Love (Songs of the Troubadours and Trouvères)”
(2) Obsidienne (França) (4) Quen na Virgen (6:25) “Miracle! Cantigas d’Alfonso el Sabio”
(3) Delphine Aguilera/ Marc Bellity (França/Tunísia) (1) A Chantar (5:56) “Fin amor”
(Separador)
Da rica tradição medieval em lírica profana galaico-portuguesa chegaram até aos nossos dias cerca de 1650 obras, das quais apenas 13 com notação musical. Conhecemo-las graças à descoberta dos manuscritos O Pergamiño Sharrer e o Pergamiño Vindel, ambos conservados pela sua utilização como material de encadernação de códices.
Da poesia trovadoresca, salientam-se as cerca de 500 Cantigas de Amigo, compostas entre 1220 e 1350, por um total de 88 poetas, que constitui o maior espólio de poesia amorosa de voz feminina que sobreviveu da Europa pré-renascentista e a mais antiga manifestação literária da nossa história.
As Cantigas de Amigo são poemas cujo sujeito poético é uma rapariga que se dirige à mãe, à irmã mais velha, à amiga, a um cavaleiro (mais raramente), à natureza (antropomorfismo) ou aos santos da sua devoção, para exprimir o seu amor, a sua angústia ou a sua saudade pelo seu amado, que designa habitualmente por amigo. A figura feminina que as Cantigas de Amigo retratam é, pois, a da jovem que se inicia no universo do amor, por vezes lamentando a ausência do amado, outras cantando a sua alegria pelo próximo encontro. Tratam-se, pois, de cantigas de origem popular, que tiveram as suas origens na Península Ibérica (Galiza e norte de Portugal), com marcas evidentes da literatura oral, nomeadamente pela utilização de recursos como as reiterações, o paralelismo, o refrão e o estribilho, próprios dos textos para serem cantados e que propiciam facilidade na memorização.
Depois das brilhantes interpretações dos La Batalla (Portugal), Ensemble Alcatraz with Kitka (EUA), Supramúsica (Espanha), Paulina Ceremuzyrska (Polónia), Fin’Amor (França), Martin Códax (Espanha) e Ensemble Cantilena Antiqua (Itália), as Cantigas de Amigo conhecem agora mais uma extraordinária versão, a do Grupo Meendinho.
Fundado pela musicóloga e cantora Paulina Ceremuzynska, o ensemble polaco-espanhol Meendinho, especializado na interpretação da música medieval, principalmente da procedente da tradição trovadoresca, aborda nos seus programas uma rigorosa e ao mesmo tempo criativa recuperação das músicas da Idade Média. Em 2006, editou o fabuloso registo “E Moiro-me d’ Amor” (Cantigas de desexo e soidade), gravado na Rádio Galega e editado pela Secretaria Geral de Política Linguística, que integra dezasseis Cantigas de Amigo (de Nuno Fernandez, Lourenço xograr, Fernand’Esquío, Martin de Ginzo, Pero Meogo, Pai Gomez Charinho, Martin Codax e Meendinho). Apesar de só agora nos ter chegado às mãos, merece um justo destaque no Templo das Heresias.
(01) Vi eu, mia madr', andar (Nuno Fernandez) (2:26)
(02) Tres moças cantavan d'amor (Lourenço xograr) (3:58)
(03) Vayamos, irmana, vayamos dormir (Fernand'Esquío) (3:20)
(13) As ffroles do meu amigo (Pai Gomez Charinho) (3:16)
(08) Levous' a loaçana, levous' a velida (Pero Meogo) (3:08)
(09) Levad', amigo, que durmides as manhanas frias (Pero Meogo) (4:25)
(Separador)
“Uma Ballata de um anónimo italiano do século XIV, uma balada do século XVI provavelmente de origem árabe, um tema inspirado no canto gregoriano e um texto da Galiza do século XIII encerram o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Ensemble Syntagma (Rússia/França) (1) Che Ti Zova Nasconder (5:10) “Stylems, Italian Music from the Trecento”
(2) Begoña Olavide (Espanha) (1) Paseabase el rey moro (5:27) “Mudejar”
(3) Catherine Braslavsky (França) (12 ) Kyrie de la nuit (4,04) “Un jour d’ entre les jours”
(4) Stellamana (EUA) (3) Zephyrus (4,34) “Star of the Sea”
(1) Warsaw Village Band (13) Lament (2:30) “Uprooting”
(2) Boris Kovac (2) Noon at Ural (3:58) “Ritual Nova II”
(3) Irén Lovász (5) Márton Szép Ilona (2:05) “Rosebuds In a Stoneyard”
(4) Stefka Sabotinova (11) Mir Stankele (0:18-3:07) “Le Mystère des Voix Bulgares”
(5) Dmitri Pokrovsky Ensemble (5) Pine Tree (2:44) “The Wild Field”
(Separador)
Filha de um escritor mexicano e de uma fotógrafa e antiga actriz americana, Lhasa de Sela passou grande parte da sua adolescência a viajar numa carrinha com os seus pais e com duas irmãs, pela costa norte-americana e fronteira com o México, onde passa a residir. Aos 25 anos muda-se para o Canadá, onde conheceu o guitarrista Yves Desrosiers, com o qual escreveu os temas que iriam compor o seu primeiro registo de originais, “La Llorona”, pleno de sentimento e sensualidade, em que Lhasa canta em espanhol sobre paisagens sem nome, assombradas pelos blues, pela música cigana, pelos ritmos sul-americanos e pelo cabaret.
Seis anos mais tarde, a cantautora apátrida edita “The Living Road”, optando por diversificar o som e os instrumentos utilizados, cantar em espanhol, inglês e francês e afastar-se das sonoridades do primeiro registo, numa possível alusão à sua adolescência de constante itinerância. Se no primeiro álbum, Lhasa contou com a co-autoria de Yves Desrosiers, no segundo registo as participações estenderam-se a Vincent Segal, Didier Dumoutier e Jérôme Lapierre.
Em 2009, Lhasa de Sela regressa com um registo simplesmente intitulado “Lhasa”, em que a sua voz comovente e bela percorre doze temas cheios de intensidade dramática, vislumbrando um México distante e etéreo construído por sentimentos de amor, desespero e melancolia profunda.
A voz de Lhasa, aqui suficientemente destacada (aquando da edição dos seus dois primeiros registos, bem como das suas duas tournées em Portugal com passagem por Lisboa, Famalicão, Coimbra, Aveiro, Porto), continua a evidenciar uma grande sensibilidade, beleza e maturidade, pelo que não podíamos deixar de a divulgar de novo, ainda que o seu novo registo se revele manifestamente inferior aos anteriores.
(02) Rising (3:49)
(01) Is Anything Wrong (3:55)
(06) Fool’s Gold (3:01)
(03) Love Came Here (3:51)
(09) The Lonely Spider (3:18)
(Separador)
“Um tema de Rembetiko, a música característica da Grécia, e duas versões de uma balada otomana, uma proveniente de Israel e outra da Turquia. São as sonoridades que encerram a 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Martha Frintzila (II-2) Thalassa Lipisou (5:22) “The Diaspora of Rembetiko”
(2) Sara Alexander (2) Madré (6,18) “Café Turc”
(3) Istanbul Oriental Ensemble (2) Nihavent Oriental (6,49) “Sultan’s Secret Door”
2ª Hora
“Uma chanson de toile de um trovador anónimo, uma Cantiga de Santa Maria de Afonso X de Castela e uma Canção de Trobairitz da trovadora Condessa Beatritz de Dia. O universo musical dos séculos XII e XIII abre as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Duo Trobairitz (Inglaterra) (10) Bele Doette (9:04) “The Language of Love (Songs of the Troubadours and Trouvères)”
(2) Obsidienne (França) (4) Quen na Virgen (6:25) “Miracle! Cantigas d’Alfonso el Sabio”
(3) Delphine Aguilera/ Marc Bellity (França/Tunísia) (1) A Chantar (5:56) “Fin amor”
(Separador)
Da rica tradição medieval em lírica profana galaico-portuguesa chegaram até aos nossos dias cerca de 1650 obras, das quais apenas 13 com notação musical. Conhecemo-las graças à descoberta dos manuscritos O Pergamiño Sharrer e o Pergamiño Vindel, ambos conservados pela sua utilização como material de encadernação de códices.
Da poesia trovadoresca, salientam-se as cerca de 500 Cantigas de Amigo, compostas entre 1220 e 1350, por um total de 88 poetas, que constitui o maior espólio de poesia amorosa de voz feminina que sobreviveu da Europa pré-renascentista e a mais antiga manifestação literária da nossa história.
As Cantigas de Amigo são poemas cujo sujeito poético é uma rapariga que se dirige à mãe, à irmã mais velha, à amiga, a um cavaleiro (mais raramente), à natureza (antropomorfismo) ou aos santos da sua devoção, para exprimir o seu amor, a sua angústia ou a sua saudade pelo seu amado, que designa habitualmente por amigo. A figura feminina que as Cantigas de Amigo retratam é, pois, a da jovem que se inicia no universo do amor, por vezes lamentando a ausência do amado, outras cantando a sua alegria pelo próximo encontro. Tratam-se, pois, de cantigas de origem popular, que tiveram as suas origens na Península Ibérica (Galiza e norte de Portugal), com marcas evidentes da literatura oral, nomeadamente pela utilização de recursos como as reiterações, o paralelismo, o refrão e o estribilho, próprios dos textos para serem cantados e que propiciam facilidade na memorização.
Depois das brilhantes interpretações dos La Batalla (Portugal), Ensemble Alcatraz with Kitka (EUA), Supramúsica (Espanha), Paulina Ceremuzyrska (Polónia), Fin’Amor (França), Martin Códax (Espanha) e Ensemble Cantilena Antiqua (Itália), as Cantigas de Amigo conhecem agora mais uma extraordinária versão, a do Grupo Meendinho.
Fundado pela musicóloga e cantora Paulina Ceremuzynska, o ensemble polaco-espanhol Meendinho, especializado na interpretação da música medieval, principalmente da procedente da tradição trovadoresca, aborda nos seus programas uma rigorosa e ao mesmo tempo criativa recuperação das músicas da Idade Média. Em 2006, editou o fabuloso registo “E Moiro-me d’ Amor” (Cantigas de desexo e soidade), gravado na Rádio Galega e editado pela Secretaria Geral de Política Linguística, que integra dezasseis Cantigas de Amigo (de Nuno Fernandez, Lourenço xograr, Fernand’Esquío, Martin de Ginzo, Pero Meogo, Pai Gomez Charinho, Martin Codax e Meendinho). Apesar de só agora nos ter chegado às mãos, merece um justo destaque no Templo das Heresias.
(01) Vi eu, mia madr', andar (Nuno Fernandez) (2:26)(02) Tres moças cantavan d'amor (Lourenço xograr) (3:58)
(03) Vayamos, irmana, vayamos dormir (Fernand'Esquío) (3:20)
(13) As ffroles do meu amigo (Pai Gomez Charinho) (3:16)
(08) Levous' a loaçana, levous' a velida (Pero Meogo) (3:08)
(09) Levad', amigo, que durmides as manhanas frias (Pero Meogo) (4:25)
(Separador)
“Uma Ballata de um anónimo italiano do século XIV, uma balada do século XVI provavelmente de origem árabe, um tema inspirado no canto gregoriano e um texto da Galiza do século XIII encerram o Templo das Heresias de hoje”.
(1) Ensemble Syntagma (Rússia/França) (1) Che Ti Zova Nasconder (5:10) “Stylems, Italian Music from the Trecento”
(2) Begoña Olavide (Espanha) (1) Paseabase el rey moro (5:27) “Mudejar”
(3) Catherine Braslavsky (França) (12 ) Kyrie de la nuit (4,04) “Un jour d’ entre les jours”
(4) Stellamana (EUA) (3) Zephyrus (4,34) “Star of the Sea”
2009/08/02
Oumou Sangare (Mali) / Martín Códax (Espanha)
“Um tributo belgo-zairense às crianças, uma canção de embalar da Nigéria, uma demonstração das potencialidades do bolombatto (harpa oeste-africana de 4 cordas) por um músico alemão e um tema tradicional do Rwanda sobre a felicidade conjugal de um casal. São as Heresias que abrem hoje as portas do Templo”.
(1) Zapmama (15) Zap Bébés (últimos 1:35) “Ancestry in Progress”
(2) Floxy Bee, The Hikosso Queen (9) Oluronbi (4:15) “African Lullaby”
(3) Stephan Micus (1) Earth (0:05-6:24) “The Garden of Mirrors”
(4) Cécile Kayrebwa (1) Rwanamiza (5:59) “Rwanda”
(Separador)
Nascida em Bamako, em 1969, Oumou Sangare começou por acompanhar a mãe, desde os cinco anos de idade, a cantar nas cerimónias de baptismo e casamento. No entanto, rapidamente seguiu o seu próprio caminho e, com 21 anos, tornou-se na primeira grande embaixadora da música do Mali, particularmente da região Wassoulou, no sul do país, onde predomina um estilo musical próprio e distinto do universo dos griots.
“Sangare Kono”, a voz de pássaro, uma das mais espantosas do mundo, decidiu cantar para comentar sobre todos os aspectos da vida no seu país, sobretudo os problemas sociais que as mulheres enfrentam diariamente, mas também da sensualidade do amor inexperiente, da dor do exílio, da necessidade de cultivar a terra e da fragilidade da vida humana. Poligamia, arranjo de casamentos, compra de noivas e excisão são alguns dos assuntos tabus abordados por Sangare nas suas canções.
Em 1990, Oumou Sangare editou “Moussolou” (Mulheres), em 1993 lançou “Ko Sira” e, em 1996, fez sair “Worotan”, os três para a etiqueta World Circuit, todos aqui atempadamente destacados no Templo das Heresias. Seguiu-se, em 2003, o lançamento do duplo CD “Oumou”, um álbum que recupera os 12 melhores temas dos seus três registos para a World Circuit e que inclui, ainda, 8 temas nunca antes editados em CD (nomeadamente 6 faixas da bem sucedida cassete “Laban”, apenas disponível no Mali).
Este ano (2009), Oumou Sangare regressa com "Seya" (Divertimento), que levou entre dois a três anos a ser preparado. A diva do Mali confessa que demorou tempo, por ter escolhido cuidadosamente as letras e as melodias, de forma a resultarem sedutoras, vibrantes e poderosas. E assim, Oumou prossegue a cruzada de continuar a encorajar a igualdade entre homens e mulheres e a cantar hipnoticamente temas universais como o amor, a morte, o destino, o respeito recíproco, a esperança, a harmonia e o divertimento.
Mais informações em: www.oumousangare.co.uk
www.worldcircuit.co.uk
(05) Kounadya (4:33)
(04) Donso (6:09)
(06) Senkele Te Sira (4:33)
(02) Sukonyali (6:01)
(Separador)
“Uma melodia zapoteca de devoção à alma, um tema de apelo ao sentimento, uma canção de amor sofrido e uma balada de uma jovem angustiada. A música sentida do México, no encerramento da 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Lila Downs (6) Xquenda (5:03) “Tree of Life”
(2) Chavela Vargas (2) Un Mundo Raro (Até 5:28) “En Carnegie Hall”
(3) El Negro Ojeda (I-11) Albur de Amor (3:37) “Cuadernos de Mexico”
(4) Astrid Hadad y los Tarzanes (3) Gritenme piedras del campo (3,04) “Ay!”
2ª Hora
“Um tema tradicional da Soria, uma canção de amor da corte de Viena (século XII), um poema trovadoresco de Giraut de Bornelh de Périgord (século XII) e uma cantiga de amigo do rei D. Sancho I de Portugal (século XII) abrem as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Vox Suavis (França/Espanha) (5) Que hermosa noche (3:36) “Vox Suavis”
(2) I Ciarlatani (Alemanha) (4) Der winter were mir ein zit (5:22) “Codex Manesse: Minnesinger of the Great Heidelberg Song Manuscript”
(3) Alba (Suécia/Dinamarca) (1) Reis glorios (9:20) “Songs of Longing & Lustful Tunes”
(4) Ensemble Perceval (França) (5) Ay eu coitada (1:45) “Minnesänger-Troubadours-Trouvères”
(Separador)
O grupo de música antiga Martín Códax, da Galiza, estuda e interpreta o repertório musical escrito, desde a Idade Média até ao Renascimento, dedicando especial atenção à composta nos séculos XII, XIII e XIV.
Desde a sua fundação, em 1993, o ensemble tem participado em numerosos acontecimentos musicais em toda a Espanha, nomeadamente em concertos, programas de rádio e televisão, congressos, feiras medievais, entre outros, com o propósito de divulgar a música medieval (sobretudo, a lírica galaico-portuguesa e, particularmente, a música relacionada com o “Caminho de Santiago”). Por outro lado, o grupo tem colaborado com editoras galegas na difusão da literatura medieval, destacando-se a sua participação na edição dos livros “Martín Códax” (Editorial Galaxia) e “O viño da Vida” (Editorial Xerais).
A discografia do ensemble Martín Códax mergulha exaustivamente nas manifestações musicais mais relevantes da Idade Média na Península Ibérica, nomeadamente nos códices, nos romances de peregrinação e na poesia trovadoresca do século XIII. Nas suas interpretações utilizam reproduções de instrumentos medievais (fídula, organistrum, harpa, guitarra mourisca, chirimía, darbouka...), construídos segundo os modelos que aparecem nas principais fontes iconográficas (nomeadamente no Pórtico da Gloria da Catedral de Santiago de Compostela e nas iluminuras das Cantigas de Santa Maria), bem como instrumentos tradicionais (sanfona, gaita, pandeiro...), procurando, assim, uma plena integração de todos os elementos para a realização de uma música viva e gratificante.
O projecto mais arrojado do ensemble Martín Códax chama-se “Devotio: Música para la Virgen y Santiago”, um duplo CD, com dois libretos de 48 e 52 páginas, respectivamente, editado pela etiqueta Cantus Records. O primeiro disco é dedicado a cantigas do século XIII e inclui treze Cantigas de Santa Maria, composições em galaico-português dedicadas à Virgem e que foram compostas por volta de 1250-80, sob a direcção do então rei de Castela, Afonso X, o sábio (1221-1284); sete Cantigas de Amigo do supremo trovador de Vigo, Martín Códax, as mais importantes da lírica trovadoresca galaico-portuguesa, que figuram no Cancioneiro da Vaticana e no Cancioneiro da Biblioteca Nacional, bem como no pergaminho Vindel; e três Cantigas de Escárnio, um género de poesia trovadoresca, cuja principal característica é a crítica ou sátira, escrita em galaico-português por jograis e menestréis. O segundo disco é dedicado às devoções e inclui nove canções do Codex Calixtinus ou Liber Sancti Jacobi, um conjunto de textos reunidos em Santiago de Compostela, que se apresentava como da autoria do Papa Calisto II (Século XII); quatro composições do Codex Huelgas, manuscrito medieval copiado no início do século XIV no mosteiro cisterciense de monjas de clausura de Santa Maria la Real de Las Huelgas, próximo de Burgos, que contém obras musicais pertencentes a um período da música medieval conhecido como Ars antiqua; duas canções do Llibre Vermell de Montserrat, um manuscrito iluminado contendo uma colecção de canções do final da Idade Média, escrito no século XIV e preservado no Mosteiro de Montserrat, nos arredores de Barcelona; e cinco Romances de peregrinação, nomeadamente a Santiago de Compostela.
Mais informações em:
http://www.martincodax.org/
http://www.cantus-records.com/
I (10) Pois que Deus (3:17)
(11) A madre de Deus (5:34)
(14) Ondas do mar de Vigo (3:01)
(17) Quantas sabedes amar amigo (2:30)
(15) Mandad'éi comigo (2:37)
II (14) Cuncti simus concanentes (3:25)
(Separador)
“Recuando ainda mais no tempo, o Templo das Heresias incide, no final do programa de hoje, nos sons da música do Antigo Egipto”.
(1) Ali Jihad Racy (Líbano) (2) The land of the Blessed (6:56) “Ancient Egypt”
(2) Michael Atherton (Austrália) (17) Shen(song) (5:02) “Ankh: The Sound of Ancient Egypt”
(3) Rafael Pérez Arroyo / Hathor Ensemble (Espanha) (3) Iba Dance (6:59) “Ancient Egypt: Music in the age of the Pyramids”
(1) Zapmama (15) Zap Bébés (últimos 1:35) “Ancestry in Progress”
(2) Floxy Bee, The Hikosso Queen (9) Oluronbi (4:15) “African Lullaby”
(3) Stephan Micus (1) Earth (0:05-6:24) “The Garden of Mirrors”
(4) Cécile Kayrebwa (1) Rwanamiza (5:59) “Rwanda”
(Separador)
Nascida em Bamako, em 1969, Oumou Sangare começou por acompanhar a mãe, desde os cinco anos de idade, a cantar nas cerimónias de baptismo e casamento. No entanto, rapidamente seguiu o seu próprio caminho e, com 21 anos, tornou-se na primeira grande embaixadora da música do Mali, particularmente da região Wassoulou, no sul do país, onde predomina um estilo musical próprio e distinto do universo dos griots.
“Sangare Kono”, a voz de pássaro, uma das mais espantosas do mundo, decidiu cantar para comentar sobre todos os aspectos da vida no seu país, sobretudo os problemas sociais que as mulheres enfrentam diariamente, mas também da sensualidade do amor inexperiente, da dor do exílio, da necessidade de cultivar a terra e da fragilidade da vida humana. Poligamia, arranjo de casamentos, compra de noivas e excisão são alguns dos assuntos tabus abordados por Sangare nas suas canções.
Em 1990, Oumou Sangare editou “Moussolou” (Mulheres), em 1993 lançou “Ko Sira” e, em 1996, fez sair “Worotan”, os três para a etiqueta World Circuit, todos aqui atempadamente destacados no Templo das Heresias. Seguiu-se, em 2003, o lançamento do duplo CD “Oumou”, um álbum que recupera os 12 melhores temas dos seus três registos para a World Circuit e que inclui, ainda, 8 temas nunca antes editados em CD (nomeadamente 6 faixas da bem sucedida cassete “Laban”, apenas disponível no Mali).
Este ano (2009), Oumou Sangare regressa com "Seya" (Divertimento), que levou entre dois a três anos a ser preparado. A diva do Mali confessa que demorou tempo, por ter escolhido cuidadosamente as letras e as melodias, de forma a resultarem sedutoras, vibrantes e poderosas. E assim, Oumou prossegue a cruzada de continuar a encorajar a igualdade entre homens e mulheres e a cantar hipnoticamente temas universais como o amor, a morte, o destino, o respeito recíproco, a esperança, a harmonia e o divertimento.
Mais informações em: www.oumousangare.co.uk
www.worldcircuit.co.uk
(05) Kounadya (4:33)
(04) Donso (6:09)
(06) Senkele Te Sira (4:33)
(02) Sukonyali (6:01)
(Separador)
“Uma melodia zapoteca de devoção à alma, um tema de apelo ao sentimento, uma canção de amor sofrido e uma balada de uma jovem angustiada. A música sentida do México, no encerramento da 1ª parte do Templo das Heresias.”
(1) Lila Downs (6) Xquenda (5:03) “Tree of Life”
(2) Chavela Vargas (2) Un Mundo Raro (Até 5:28) “En Carnegie Hall”
(3) El Negro Ojeda (I-11) Albur de Amor (3:37) “Cuadernos de Mexico”
(4) Astrid Hadad y los Tarzanes (3) Gritenme piedras del campo (3,04) “Ay!”
2ª Hora
“Um tema tradicional da Soria, uma canção de amor da corte de Viena (século XII), um poema trovadoresco de Giraut de Bornelh de Périgord (século XII) e uma cantiga de amigo do rei D. Sancho I de Portugal (século XII) abrem as portas da 2.ª hora do Templo das Heresias.”
(1) Vox Suavis (França/Espanha) (5) Que hermosa noche (3:36) “Vox Suavis”
(2) I Ciarlatani (Alemanha) (4) Der winter were mir ein zit (5:22) “Codex Manesse: Minnesinger of the Great Heidelberg Song Manuscript”
(3) Alba (Suécia/Dinamarca) (1) Reis glorios (9:20) “Songs of Longing & Lustful Tunes”
(4) Ensemble Perceval (França) (5) Ay eu coitada (1:45) “Minnesänger-Troubadours-Trouvères”
(Separador)
O grupo de música antiga Martín Códax, da Galiza, estuda e interpreta o repertório musical escrito, desde a Idade Média até ao Renascimento, dedicando especial atenção à composta nos séculos XII, XIII e XIV.
Desde a sua fundação, em 1993, o ensemble tem participado em numerosos acontecimentos musicais em toda a Espanha, nomeadamente em concertos, programas de rádio e televisão, congressos, feiras medievais, entre outros, com o propósito de divulgar a música medieval (sobretudo, a lírica galaico-portuguesa e, particularmente, a música relacionada com o “Caminho de Santiago”). Por outro lado, o grupo tem colaborado com editoras galegas na difusão da literatura medieval, destacando-se a sua participação na edição dos livros “Martín Códax” (Editorial Galaxia) e “O viño da Vida” (Editorial Xerais).
A discografia do ensemble Martín Códax mergulha exaustivamente nas manifestações musicais mais relevantes da Idade Média na Península Ibérica, nomeadamente nos códices, nos romances de peregrinação e na poesia trovadoresca do século XIII. Nas suas interpretações utilizam reproduções de instrumentos medievais (fídula, organistrum, harpa, guitarra mourisca, chirimía, darbouka...), construídos segundo os modelos que aparecem nas principais fontes iconográficas (nomeadamente no Pórtico da Gloria da Catedral de Santiago de Compostela e nas iluminuras das Cantigas de Santa Maria), bem como instrumentos tradicionais (sanfona, gaita, pandeiro...), procurando, assim, uma plena integração de todos os elementos para a realização de uma música viva e gratificante.
O projecto mais arrojado do ensemble Martín Códax chama-se “Devotio: Música para la Virgen y Santiago”, um duplo CD, com dois libretos de 48 e 52 páginas, respectivamente, editado pela etiqueta Cantus Records. O primeiro disco é dedicado a cantigas do século XIII e inclui treze Cantigas de Santa Maria, composições em galaico-português dedicadas à Virgem e que foram compostas por volta de 1250-80, sob a direcção do então rei de Castela, Afonso X, o sábio (1221-1284); sete Cantigas de Amigo do supremo trovador de Vigo, Martín Códax, as mais importantes da lírica trovadoresca galaico-portuguesa, que figuram no Cancioneiro da Vaticana e no Cancioneiro da Biblioteca Nacional, bem como no pergaminho Vindel; e três Cantigas de Escárnio, um género de poesia trovadoresca, cuja principal característica é a crítica ou sátira, escrita em galaico-português por jograis e menestréis. O segundo disco é dedicado às devoções e inclui nove canções do Codex Calixtinus ou Liber Sancti Jacobi, um conjunto de textos reunidos em Santiago de Compostela, que se apresentava como da autoria do Papa Calisto II (Século XII); quatro composições do Codex Huelgas, manuscrito medieval copiado no início do século XIV no mosteiro cisterciense de monjas de clausura de Santa Maria la Real de Las Huelgas, próximo de Burgos, que contém obras musicais pertencentes a um período da música medieval conhecido como Ars antiqua; duas canções do Llibre Vermell de Montserrat, um manuscrito iluminado contendo uma colecção de canções do final da Idade Média, escrito no século XIV e preservado no Mosteiro de Montserrat, nos arredores de Barcelona; e cinco Romances de peregrinação, nomeadamente a Santiago de Compostela.
Mais informações em:
http://www.martincodax.org/
http://www.cantus-records.com/
I (10) Pois que Deus (3:17)
(11) A madre de Deus (5:34)
(14) Ondas do mar de Vigo (3:01)
(17) Quantas sabedes amar amigo (2:30)
(15) Mandad'éi comigo (2:37)
II (14) Cuncti simus concanentes (3:25)
(Separador)
“Recuando ainda mais no tempo, o Templo das Heresias incide, no final do programa de hoje, nos sons da música do Antigo Egipto”.
(1) Ali Jihad Racy (Líbano) (2) The land of the Blessed (6:56) “Ancient Egypt”
(2) Michael Atherton (Austrália) (17) Shen(song) (5:02) “Ankh: The Sound of Ancient Egypt”
(3) Rafael Pérez Arroyo / Hathor Ensemble (Espanha) (3) Iba Dance (6:59) “Ancient Egypt: Music in the age of the Pyramids”
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